“É possível construir uma empresa de tecnologia com transformação social”, diz Emerson de Lima, da Sauter

11 fev. 2026

O representante da categoria Emerging da 28ª edição do EOY destaca a estratégia da Sauter de formar especialistas no interior de Pernambuco para suprir o déficit de profissionais de tecnologia
“É possível construir uma empresa de tecnologia com transformação social”, diz Emerson de Lima, da Sauter Emerson de Lima, da Sauter, homenageado na 28ª edição do EOY

No seleto grupo de empresários que conseguiram prosperar em meio às incertezas globais dos últimos anos, o CEO da Sauter, Emerson de Lima, escolhido representante da categoria Emerging da última edição do programa EOY – Empreendedor do Ano, fundou sua empresa de tecnologia apenas sete dias antes do fechamento do comércio mundial por causa da pandemia. “Somos uma empresa nova que já enfrentou esse enorme desafio logo nos seus primeiros dias de existência. Nossa opção foi pelo modelo bootstrapping, sem recorrer, portanto, a fundos de investimentos”, diz. O bootstrapping significa começar um negócio com recursos próprios, geralmente bem limitados, sem o apoio de investidores, o que se mostrou acertado na sua avaliação, considerando o contexto da época de pandemia.

Um dos diferenciais da Sauter é o local escolhido para a busca por talentos. Ao fixar seu polo de desenvolvimento em Garanhuns, no agreste de Pernambuco, a empresa encontrou uma resposta para o gargalo de mão de obra que atinge o setor de tecnologia. “Fizemos parcerias com universidades locais, o que resultou em mais de 80 pessoas que passaram por nossos programas de formação”, observa Emerson. Ainda segundo o executivo, a Sauter tem mostrado que é possível construir uma empresa de tecnologia de ponta promovendo uma transformação social profunda.

Leia abaixo a entrevista na íntegra.

1) A Sauter nasceu em um momento desafiador no mundo inteiro, alguns dias antes do lockdown causado pela pandemia. Como a empresa venceu esse e outros desafios para atingir faturamento de R$ 120 milhões em seis anos?

EMERSON: Começar o negócio uma semana antes da pandemia adicionou uma camada de complexidade a um cenário de empreendedorismo que por si só já é desafiador. Fomos bootstrapped, ou seja, crescemos com nossos próprios recursos, focando em ser uma consultoria premium para grandes empresas. Nosso foco sempre foi a atuação nas seguintes tecnologias: cloud, SAP e inteligência artificial. 

O motor desse crescimento de zero a R$ 120 milhões não foi apenas técnico, mas uma visão do ecossistema em que estamos inseridos. Percebemos desde cedo que não cresceríamos sozinhos e que o talento brasileiro estava sendo subutilizado fora dos grandes centros urbanos. Hoje, com quase 200 funcionários, mantemos crescimento vertiginoso porque investimos no capital humano em locais esquecidos pelo mercado.

2) Entre os destaques da Sauter está o programa "Sauter Universe" realizado em Garanhuns. Por que apostar no interior de Pernambuco em vez de disputar talentos nos polos tradicionais como São Paulo e Recife?

EMERSON: O Brasil sofre com um déficit de aproximadamente 200 mil vagas abertas em tecnologia que não conseguimos preencher. O mercado tradicional olha para as capitais, já que o Brasil é profundamente desigual. Garanhuns, que fica a 200 km de Recife, tem universidades públicas de excelente qualidade formando profissionais qualificados, mas que não tinham oportunidades locais de atuação.

Criamos então o Sauter Universe por uma necessidade prática: não encontrávamos especialistas em cloud, IA e DevOps no mercado. Por isso, decidimos formá-los. Hoje, esse polo no agreste conta com mais de 80 pessoas e é responsável por 40% de todo o nosso delivery global. É o nosso segundo maior escritório e a prova de que o talento está em todo lugar, faltando apenas a iniciativa privada dar oportunidade.

3) Qual é o impacto social desse modelo para os profissionais e para a região de Garanhuns?

EMERSON: É transformador. Historicamente, o talento precisava migrar para as metrópoles, enfrentando o custo de vida elevado, o adensamento urbano e a inflação imobiliária. Ao levar a Sauter para Garanhuns, permitimos que esses jovens sejam bem remunerados para viver em suas cidades natais. Isso gera desenvolvimento econômico local, além de reter essa expertise ou conhecimento específico na região. 

Temos profissionais atendendo empresas gigantes do Brasil sem precisar sair do interior de Pernambuco. No nosso manifesto, reforçamos que o sucesso da empresa deve ser compartilhado com a sociedade, e o fato de 40% da nossa entrega vir de uma região pouco considerada pelas empresas é a maior validação desse valor.

4) Como vocês têm usado a inteligência artificial no dia a dia?

EMERSON: Estamos vivendo globalmente uma evolução sem igual. Nossa geração está tendo a possibilidade de vivenciar esse momento histórico. A última geração que passou por algo parecido talvez tenha sido no surgimento da internet, que transformou a forma como as empresas operavam, como tudo operava. Só que, ao contrário dessa revolução anterior, a de agora será muito mais rápida.

A Sauter está olhando para isso de duas formas. A primeira é como aproveitar a IA sendo uma consultoria ainda pequena para já crescer supereficaz. Temos hoje 200 pessoas, que são suficientes para entregar o trabalho equivalente a 800 pessoas de uma consultoria como a nossa antes da inteligência artificial. Já houve, portanto, um significativo ganho de produtividade. Isso envolve obviamente muito processo, muita governança, para assegurar essa eficiência operacional – da mesma forma que a EY está fazendo com o investimento em IA nos seus próprios processos para aproveitar a grande expertise que já tem dentro de casa.

A segunda forma de aplicar a inteligência artificial está no apoio aos nossos clientes. Eles estão interessados em criar softwares que contemplem novas abordagens baseadas em IA para seus processos. A preocupação é não apenas criar produtos para o mercado, mas principalmente, no caso do varejo, ganhar competitividade olhando sobretudo para seu core. O interessante é que muitas dessas empresas estão dando um salto: elas saem de processos quase analógicos e saltam direto para a IA, pulando etapas intermediárias da digitalização tradicional para ganhar competitividade imediata.

5) Você foi homenageado pela EY no EOY. A que atribui esse reconhecimento neste momento da sua trajetória de empreendedor?

EMERSON: O reconhecimento vem da união de resultados financeiros sólidos e do compromisso real com os valores sociais. O crescimento vertiginoso da empresa é importante, mas a forma como cresce importa mais. 

A EY valoriza o empreendedorismo que gera impacto, e o que fizemos em Pernambuco, unindo a excelência das universidades públicas com a capacidade de execução da iniciativa privada, está inserido nessa visão. Estamos provando que é possível construir de forma independente uma empresa de tecnologia de ponta no Brasil promovendo uma transformação social profunda no agreste.

Nova edição do EOY

Idealizado e promovido pela EY desde 1998 no Brasil, o programa Empreendedor do Ano reconhece líderes empresariais de setores e mercados distintos que, com sua visão de futuro, têm algo em comum: a vontade de transformar a realidade do país, deixando seu legado e contribuindo para a construção de um mundo de negócios melhor. 

As inscrições já estão abertas para a 29ª edição. Inscreva-se neste link

Clique aqui para saber mais sobre as edições anteriores do EOY. 

Este conteúdo faz parte da série da Agência EY com representantes homenageados da edição 2025 do programa EOY - Empreendedor do Ano. Leia as entrevistas anteriores:

“Em apenas 17 anos, fomos de zero a quatro milhões de alunos”, diz Ari de Sá Neto, da Arco Educação

"Nosso plano é dobrar de tamanho em três anos", diz Ralf Sebold, da Bold

“Winning Women preparou minha empresa para a venda”, diz Marilia Frazillio, da FF Solutions

“Gás natural é matriz que melhor reúne custo, confiabilidade e sustentabilidade”, diz Luiz Coutinho, da Origem Energia

“Meu negócio pivotou no programa Winning Women”, diz Vitória Oliveira, CEO da Connectabil

“O alimento da população virá cada vez mais do mar”, diz Thiago De Luca, da Frescatto

“Winning Women trouxe visão completa do meu negócio”, diz Flávia Rios, da Rede Comunicação

Termos de Uso

O material publicado pela Agência EY pode ser reproduzido de maneira gratuita desde que sejam colocados os créditos para a Agência EY e respeitados os termos de uso. Mais informações pelo e-mail ey@fsb.com.br.