Ao desenvolver um sistema de reconhecimento facial por meio de IA que cruza os rostos capturados pelas câmeras de rua da Bahia com as imagens do Banco Nacional de Mandados de Prisão, a Avantia já contribuiu para a prisão de quatro mil foragidos da Justiça. Com o uso da chamada visão computacional, que, por meio da inteligência artificial, interpreta as imagens capturadas, a empresa colabora também com a recuperação de veículos que foram alvos dos criminosos, cruzando as imagens das placas com as informações dos bancos de dados de veículos roubados ou furtados.
“O software faz a primeira checagem: ele indica, por exemplo, que há 96% de chance de uma face ser de determinado foragido, apontando que se trata de pessoa com mandado de prisão em aberto”, diz Eduardo Ferreira Lima, sócio da Avantia, homenageado na categoria Emerging, que reúne empreendedores à frente de empresas com crescimento acelerado no mercado, da 28ª edição do programa EOY – Empreendedor do Ano. “Na sequência, entra o fator humano com a realização da dupla checagem, já que não se pode nesses casos confiar somente na tecnologia”, completa.
1) Como você define o estágio atual da sua empresa na utilização de IA?
EDUARDO: Começamos a investir em visão computacional há 11 anos, muito antes do hype atual de IA. Isso nos deu uma vantagem competitiva enorme. Nossas soluções hoje estão sendo amplamente adotadas. Recebemos investimento de um fundo, e nosso objetivo é crescer cinco vezes para realizar um IPO ou abertura de capital.
Estamos, portanto, bem posicionados para aproveitar esse novo momento tecnológico protagonizado pela IA, mas, além do negócio, o que nos empolga é o impacto social na segurança das pessoas. Nós estamos ajudando a resolver o problema da violência no estado da Bahia, que é onde atuamos. Essa contribuição nos deixa motivados para que possamos continuar firmes nessa missão.
2) Você citou o combate à violência como consequência do trabalho da Avantia. Como essa tecnologia funciona na prática para o cidadão comum?
EDUARDO: Destaco nosso projeto com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia. O sistema de reconhecimento facial por meio de IA cruza os rostos capturados pelas câmeras de rua com as imagens do Banco Nacional de Mandados de Prisão. Muitas vezes, um criminoso com mandado em aberto em um estado foge para outro onde não é conhecido. Já passamos da marca de quatro mil foragidos identificados e presos na Bahia graças a esse sistema. Esses criminosos estavam circulando livremente como se nada tivesse acontecido. Evitamos que essas quatro mil pessoas voltassem a cometer crimes. Consideramos que essa tecnologia da IA traz um efeito real de segurança para todos os cidadãos, que já compartilham dessa percepção. Em uma pesquisa recente na Micareta de Bahia, 92% do público disse se sentir mais seguro pela utilização dessa tecnologia no evento.
A visão computacional, que é, a exemplo do reconhecimento de fala, um dos subcampos da IA, auxilia as forças de segurança também na recuperação de veículos. Já ajudamos a recuperar mais de mil veículos roubados ou furtados. Isso porque o software lê as placas por meio das câmeras e identifica instantaneamente se o veículo consta nos bancos de dados de roubos e furtos. É a IA extraindo informações de imagens para auxiliar as forças policiais. A visão computacional é um recurso poderoso porque a tecnologia faz uma análise rápida e abrangente da imagem capturada.
3) Existe receio sobre a autonomia da IA em processos de reconhecimento facial. Na Avantia, o processo é 100% automatizado ou existe supervisão humana?
EDUARDO: Para segurança pública, a supervisão humana é indispensável. O software faz a primeira checagem: ele indica, por exemplo, que há 96% de chance de uma face ser de determinado foragido, apontando que se trata de pessoa com mandado de prisão em aberto. Na sequência, entra o fator humano com a realização da dupla checagem, já que não se pode nesses casos confiar somente na tecnologia. Estamos lidando com o futuro de vidas, e não com a mera classificação de objetos.
É um processo diferente do que contar pessoas presentes em um shopping ou em uma manifestação. Tem sido cada vez mais usada a IA para indicar o número de pessoas que estiveram em uma manifestação, como as da Avenida Paulista, por exemplo. Aqui não se exige a dupla checagem humana. O software pode trabalhar de forma autônoma, sendo inclusive mais eficiente do que o olho humano nesse tipo de contagem.
4) Você foi homenageado na última edição do EOY por sua trajetória como empreendedor. Qual é a importância desse reconhecimento?
EDUARDO: A celebração do empreendedorismo é fundamental no Brasil. Faço parte da Endeavor, uma entidade que apoia o empreendedorismo. A maior recompensa é perceber que nossa dedicação diária está gerando valor para a sociedade. O fato de alguém, não necessariamente eu, ser homenageado como empreendedor me deixa feliz. Por ter sido eu então, fico ainda mais realizado, pois isso demonstra que minha empresa está gerando impacto positivo para a sociedade. Lembro de um caso em que nossa tecnologia de identificação de foragidos ajudou a polícia a chegar ao local em menos de um minuto para evitar um estupro. Ao livrar essa mulher de ser vítima de um crime, todo o trabalho de 11 anos com a Avantia já valeu a pena.
Nova edição do EOY
Idealizado e promovido pela EY desde 1998 no Brasil, o programa Empreendedor do Ano reconhece líderes empresariais de setores e mercados distintos que, com sua visão de futuro, têm algo em comum: a vontade de transformar a realidade do país, deixando seu legado e contribuindo para a construção de um mundo de negócios melhor.
As inscrições já estão abertas para a 29ª edição. Inscreva-se neste link!
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Este conteúdo faz parte da série da Agência EY com representantes homenageados da edição 2025 do programa EOY - Empreendedor do Ano. Leia as entrevistas anteriores:
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