Há quase três décadas no mercado de eventos corporativos, a MCM Brand Experience passou por uma metamorfose nos últimos anos. Sob o comando de Mônica Schimenes, homenageada na categoria Winning Women da 28ª edição do programa EOY – Empreendedor do Ano, a MCM deixou de ter uma estrutura centralizada na figura da sua fundadora para se tornar uma empresa com governança robusta e fundamentada nos pilares de ESG.
“No programa Winning Women, entendi como funciona uma grande empresa e quais áreas da minha eu precisava fazer crescer, onde colocar investimento e energia”, diz a empresária. “Entendi que governança não é só para as grandes empresas, mas também para as pequenas, que muitas vezes têm um único empreendedor, já que essa organização, com definição de regras e funções, apoia o empreendedor”, completa.
Leia abaixo a entrevista na íntegra.
1) Como a MCM Brand Experience se posiciona no mercado?
MÔNICA: A MCM Brand Experience, especializada em live marketing, faz parte do MCM Brand Group. Nosso objetivo é criar experiências presenciais ou digitais com criatividade e propósito que aproximem as marcas dos seus consumidores. Temos inclusive um laboratório de inovação dentro de casa. Nosso diferencial competitivo é trabalhar com ESG, inserindo inclusão, diversidade e sustentabilidade em todos os nossos negócios. Hoje, 92% da nossa cadeia de fornecedores é voltada para a diversidade.
A empresa existe há 28 anos. Como única sócia, pude aproveitar uma jornada com a EY ao longo dos últimos anos para implementar uma governança que fizesse sentido para a MCM. Hoje não estou mais na operação do negócio. Já faz um ano e meio que tenho uma CEO. Para isso, estabelecemos um conselho consultivo, já como um dos resultados da mentoria oferecida pelo programa Winning Women. Com CEO, diretores e pontos focais, consegui, nesse último ano e meio, trabalhar com outras oportunidades que não sejam só ligadas com a operação do negócio.
2) Você citou o programa WW como relevante na sua trajetória.
MÔNICA: Isso mesmo. Crescemos cinco vezes desde o início da mentoria do Winning Women. Sou da turma de 2019. Quando comecei, tudo era presencial na minha empresa, promovendo encontros entre marcas e pessoas. Terminamos 2019 em franco crescimento com a possibilidade de um M&A. Contratamos a EY para nos representar nessa operação. No entanto, em março de 2020, o mundo parou por causa da pandemia, o que inviabilizou o negócio. Tivemos que fechar o escritório na primeira semana daquele mês, pois ficamos sem nenhuma perspectiva, já que os eventos no mundo inteiro foram cancelados por causa da crise de saúde pública. Isso causou o cancelamento de todos os contratos que tínhamos.
Optamos por não demitir as pessoas e montamos uma força-tarefa – até porque naquele momento qualquer pessoa que fosse demitida ficaria desempregada. O setor de eventos ficou sem possibilidade de faturamento. Podia deixar meu capital investido, mas optei por trabalhar criativamente para entender como poderia sair disso junto com minha equipe. Em 30 dias, já tínhamos um site novo, com produtos novos disponíveis online, o que exigiu o aluguel de estúdio para os eventos que só podiam ser feitos naquele contexto de pandemia no ambiente digital. Com o apoio das mentoras do WW, desenhamos produtos específicos para atender online. Demoramos dez meses para emitir uma nota fiscal, perdendo quase 60% do faturamento de um ano para o outro, mas podemos dizer que fomos bem-sucedidos. O WW foi significativo para a sobrevivência do meu negócio, para eu acreditar que meu negócio não iria morrer.
3) Também foi relevante para a implementação da governança, conforme você citou anteriormente.
MÔNICA: Exatamente. No Winning Women, percebi que empreender não precisa ser algo solitário. Já no início do programa, compreendi que minha empresa precisava de investimento para mudar essa situação. Isso foi uma mola propulsora para o negócio porque, enquanto eu era a única pessoa a fazer tudo, a empresa não tinha braço suficiente para crescer. Também no WW, entendi como funciona uma grande empresa e quais áreas da minha eu precisava fazer crescer, onde colocar investimento e energia. Entendi que governança não é só para as grandes empresas, mas também para as pequenas, que muitas vezes têm um único empreendedor, já que essa organização, com definição de regras e funções, apoia o empreendedor.
Um dos entregáveis do meu processo no WW foi a criação de um conselho. Empoderamos desde o início nossos colaboradores para serem diretores. Depois de quatro anos, chegou a hora de sair da operação. Os resultados disso são incríveis: estamos conseguindo dobrar o faturamento desde que contratamos a CEO e finalizamos o processo de governança. Hoje a operação da empresa não está mais na minha mão ou centralizada em mim. Claro que, visionariamente e estrategicamente, continuo presente, trazendo novos negócios, mas não preciso estar no dia a dia.
Lembro que, quando fizemos a primeira contratação de conselheiros, escolhemos por área de atuação. Eu tinha cinco conselheiros para áreas e processos diferentes: ESG, finanças, pessoas, marketing e comercial. As mentoras da EY me ajudaram nisso e a criar processos relacionados que não existiam. No primeiro ano, o conselho foi "mão na massa", colaborando com a criação do processo de governança.
4) A que você atribui essa homenagem na última edição do EOY?
MÔNICA: Atribuo ao crescimento do meu negócio com governança e promoção da diversidade. Sou mentora de mulheres no Brasil e no exterior. Estive recentemente em Moçambique compartilhando minha experiência com 450 empreendedoras.
Atendo desde grandes líderes até mulheres empreendedoras em regiões remotas, como uma mentorada em Juruti, na Amazônia, que está transformando sua comunidade com sua atividade voltada para design de sobrancelhas. O poder da multiplicação e o impacto social por meio da liderança feminina são meus legados.
Nova edição do EOY
Idealizado e promovido pela EY desde 1998 no Brasil, o programa Empreendedor do Ano reconhece líderes empresariais de setores e mercados distintos que, com sua visão de futuro, têm algo em comum: a vontade de transformar a realidade do país, deixando seu legado e contribuindo para a construção de um mundo de negócios melhor.
As inscrições já estão abertas para a 29ª edição. Inscreva-se neste link!
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Este conteúdo faz parte da série da Agência EY com representantes homenageados da edição 2025 do programa EOY - Empreendedor do Ano. Leia as entrevistas anteriores:
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