Leonardo Simão viveu uma experiência de quase morte durante a pandemia da Covid-19. Após passar sete dias na UTI com apenas 10% da capacidade pulmonar, enfrentou uma depressão profunda, que foi vencida sem o uso de medicamentos por meio de um método que combina neurociência e estoicismo. Depois de ser bem-sucedido nessa jornada pessoal, Leonardo decidiu tornar o método um negócio para combater aquilo que chama de "epidemia silenciosa" de ansiedade e depressão.
“Já são hoje mais de 35 mil pessoas impactadas, assim como mais de 220 empresas, que usam nossa metodologia com esse propósito de reconexão com a vida. Infelizmente, temos no Brasil mais de 40 milhões de brasileiros com depressão e ansiedade”, diz o empreendedor homenageado no último EOY na categoria Emerging, que reconhece os esforços de empresas com crescimento acelerado no mercado.
Leia abaixo a entrevista na íntegra.
1) Como o método Calma da Mente se posiciona hoje no mercado e qual é seu principal objetivo?
LEONARDO: Sou o fundador do método Calma da Mente, que ajuda as pessoas a diminuírem a dor interior causada por ansiedade, procrastinação e depressão. Ao fazer isso, elas conseguem retomar o foco e o entusiasmo pelas suas atividades diárias. Isso tem um impacto incrível, transformador na vida da pessoa, já que ela passa de novo a ter foco no que está fazendo, como conseguir trabalhar, prestar atenção nas tarefas e ter uma boa performance, inclusive na vida pessoal e nos seus relacionamentos. Por isso, costumo dizer que o método é sobre saúde mental para alta performance. Desenvolvi essa metodologia há três anos como resultado de uma busca interior.
Sou empreendedor desde meus 30 anos. Cheguei a ser indicado ao EOY em 2015, na categoria Emerging, por causa da minha trajetória com a Bebê Store, um e-commerce de produtos para bebês. Levantei quase R$ 1 bilhão de fundos de investimentos, obtendo uma série de premiações. Nessa época, passei por uma experiência muito difícil, de quase morte, na pandemia por causa da Covid-19. Fiquei uma semana internado na UTI com apenas 10% do meu pulmão efetivamente funcionando.
Foram sete dias entre a vida e a morte vivendo nesse lugar. Quando eu saí, voltei a trabalhar, fazer minhas coisas novamente, mas não conseguia me conectar com nada. Estava em depressão profunda, sem vontade de fazer nada, motivo pelo qual fui atrás de entender como poderia sair dessa depressão sem tomar remédio. Ao longo desse caminho, descobri a filosofia estoica e a neurociência, enfim, uma série de maneiras que me ajudaram a curar e sair dessa situação.
A partir dessa minha experiência, desenvolvi o método Calma da Mente. Já são hoje mais de 35 mil pessoas impactadas, assim como mais de 220 empresas, que usam nossa metodologia com esse propósito de reconexão com a vida. Infelizmente, temos no Brasil mais de 40 milhões de brasileiros com depressão e ansiedade. Isso é muito grave. As pessoas não sabem, mas a procrastinação é prima da ansiedade e da depressão. É a mente no presente fugindo do presente.
2) Como a Calma da Mente atua no contexto corporativo?
LEONARDO: Com o advento da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1), que obrigará as empresas a gerenciar riscos ocupacionais, incluindo a identificação e controle dos chamados riscos psicossociais, que são aqueles ligados à saúde mental, as organizações estão cada vez mais atentas a esse cenário no dia a dia do negócio.
A NR-1, que fará parte das normas de segurança e medicina do trabalho a partir de maio deste ano, exigirá que as empresas diagnostiquem e ajudem a cuidar da saúde mental dos seus funcionários. Caso não façam, estarão sujeitas a multas e ações trabalhistas. Temos um diagnóstico voltado para identificar como elas estão se saindo nisso. Por meio de protocolos e ferramentas online, incluindo treinamentos conduzidos nas empresas, ajudamos o colaborador a se reconectar consigo mesmo e com a empresa em que trabalha, criando hábitos positivos para atingir metas sem o uso de remédios.
3) Você define a procrastinação como uma prima da ansiedade e da depressão. Poderia explicar melhor essa relação?
LEONARDO: A ansiedade é sua mente no futuro fugindo do presente. A procrastinação é sua mente no presente fugindo do presente, muitas vezes utilizando aquilo que chamo de "kit letargia": redes sociais como Instagram e TikTok. Quando você foge do agora, o que sobra é o passado, a melancolia e a depressão. O que fazemos é trazer ferramentas para que a pessoa volte ao momento presente e ative seu entusiasmo.
No fim das contas, dependendo do contexto envolvido, o objetivo é também evitar o burnout, que ocorre quando a pessoa está em estado permanente de luta ou fuga, com o corpo cheio de cortisol e adrenalina. É um estado de guerra interna que leva ao colapso. Nossa metodologia ajuda a retirar esse nível elevado de ansiedade e trazer a mente de volta ao presente para evitar esse esgotamento. A filosofia estoica faz parte desse processo. Ela defende que as coisas simplesmente são. É nosso julgamento que as torna boas ou ruins. Ao controlar seu julgamento, qualquer situação externa pode ser vista como oportunidade. O obstáculo passa a ser o caminho para crescer. Isso gera a resiliência necessária para enfrentar momentos difíceis.
4) A que você atribui o reconhecimento recebido na edição 28 do EOY?
LEONARDO: O tema da saúde mental é crucial e produz impactos na vida de todos. Nossa empresa está trazendo soluções para melhorar o bem-estar das pessoas, e isso é muito relevante, motivo pelo qual acredito que fez a diferença para a indicação. Muitos líderes e empreendedores já conhecem e vivenciaram nossos protocolos. Eles completaram a jornada do entendimento interior para manter a saúde mental em dia.
Nova edição do EOY
Idealizado e promovido pela EY desde 1998 no Brasil, o programa Empreendedor do Ano reconhece líderes empresariais de setores e mercados distintos que, com sua visão de futuro, têm algo em comum: a vontade de transformar a realidade do país, deixando seu legado e contribuindo para a construção de um mundo de negócios melhor.
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