O momento é de fortalecer a resiliência nas empresas para enfrentar as incertezas econômicas, regulatórias e tecnológicas. Nesse contexto, os empreendedores estão atentos a tendências de mercado para encontrar novas fontes de receita e direcionando investimentos para buscar novos talentos e fortalecer a cultura corporativa. Essas são as constatações do estudo da EY conduzido pela Wakefield Research e validado por um grupo de executivos globais, incluindo participantes de edições anteriores dos programas EOY – Empreendedor do Ano e Winning Women. O levantamento, que entrevistou 500 empreendedores dos EUA com faturamento a partir de US$ 1 milhão por ano, reúne os desafios e oportunidades atuais, oferecendo um panorama desse mercado.
Os empreendedores estão tornando seus negócios mais resilientes por meio de quatro ações principais: investimento em automação ou inteligência artificial; melhoria da estratégia de retenção dos colaboradores; criação de planos de contingência para lidar com o cenário de instabilidade; e fortalecimento do caixa. A pesquisa demonstra a priorização do olhar interno para fortalecer as empresas frente aos inúmeros desafios econômicos, regulatórios e tecnológicos que têm atingido os negócios.
Quatro em cada dez empreendedores entrevistados afirmam que estão tornando seus negócios mais resilientes por meio do investimento em automação ou IA. Já 35% dizem que estão melhorando a estratégia de retenção dos colaboradores, o que significa combater qualquer indício de elevação da rotatividade. Outros 32% apontam o desenvolvimento de planos de contingência para lidar com um cenário instável causado por diversas e frequentes mudanças macroeconômicas e estruturais.
Já 32% afirmam que estão fortalecendo seu caixa ou reservas financeiras. Mais de três em cada dez (31%) dizem que estão dedicados a fortalecer sua relação com os fornecedores – mesma porcentagem dos que afirmam estar diversificando suas fontes de faturamento com novos produtos e linhas de serviço, por exemplo. Por fim, com 30%, aparecem duas respostas: "redução dos custos operacionais" e "expansão do negócio para novas geografias".
Entre os desafios apontados pelos empreendedores estão disrupção da cadeia de suprimentos; risco de desaceleração da economia ou até mesmo de recessão; tendências de consumo; e mudanças regulatórias. Ao trazer para a realidade do empreendedor brasileiro, há um grande desafio a partir deste ano de adequação à reforma tributária do consumo, o que tem desde já exigido um esforço para compreender todas as mudanças. Além disso, há preocupação dos empresários com juros altos e acesso a financiamento para os negócios, já que as taxas estão restritivas e devem permanecer assim em 2026.
Os empreendedores entrevistados consideram como principais ameaças para seus negócios os seguintes riscos: disrupção da cadeia de suprimentos, com 37% das respostas; desaceleração econômica ou recessão, com 35%; tendências de consumo e mudanças regulatórias, ambas as respostas com 34%; taxas de juros e acesso a financiamento para seus negócios, com 33%; e falta de mão de obra, o que traz desafios para contratar, com 31%.
Para os executivos globais que analisaram o estudo da EY, alguns deles homenageados em edições anteriores do programa EOY, a compreensão da geopolítica pelos empreendedores é relevante atualmente para obter sucesso em qualquer setor econômico. Isso porque, na avaliação deles, essas transformações ou implicações geopolíticas precisam estar contempladas na estratégia de longo prazo dos negócios. Ao se manterem informados, os empreendedores podem se adaptar para navegar por essas condições de incerteza econômica, mudanças regulatórias e volatilidade da cadeia de suprimentos.
Prioridades de investimento
Os 500 empreendedores ouvidos apontam as seguintes prioridades de negócio para fazer investimentos no próximo ano: tecnologia, com 42% das respostas; criação de fontes de receita e realização de programas de treinamento e reskilling para seus colaboradores, ambas as respostas com 39%; e programas de diversidade, equidade e inclusão, com 37%. Aparecem ainda na lista: identificação de talentos e recrutamento, com 36% das respostas, mesma porcentagem de fortalecimento da cultura corporativa, e esforços de sustentabilidade, com 34%.
O foco na IA é crescente, ainda segundo o estudo, para gerar ganhos de produtividade que possam destravar o potencial humano. Além de estimular o uso de IA para reimaginar processos, produtos e serviços, o que se mostra fundamental para inovar, os empreendedores têm se voltado para os agentes de IA, que podem ajudar seus colaboradores na potencialização de suas capacidades técnicas.
A inteligência artificial tem sido cada vez mais utilizada pelas empresas para inovar e tornar mais produtivo o dia a dia dos seus negócios. Há, no entanto, diversas dúvidas sobre como desenvolver e operacionalizar esses sistemas evitando os riscos que podem comprometer os resultados financeiros e a reputação das organizações. Nesse contexto, a EY lançou a série “IA aplicada aos negócios: Como utilizar essa tecnologia com segurança e governança para gerar inovação”, que, além desta reportagem, já publicou as seguintes:
IA generativa para fins tributários atende às obrigações fiscais e gera inteligência
Empresas adotam IA generativa na gestão do contencioso tributário
IA em 2024 requer fortalecimento da governança em assuntos como proteção de dados
Estudo da EY aponta cinco tendências globais para regulamentação de IA
Monitoramento por IA das emissões de metano já é realidade na indústria de gás e petróleo
Empresas precisam desde já adotar as melhores práticas de IA
Indústria de mineração encontra alternativas à abertura de minas por meio da IA
IA possibilita uso inteligente da rede de energia para aproveitar potencial das fontes renováveis
Educação é a base da governança em inteligência artificial
Engajamento dos C-Levels e diretores é característica em comum das empresas bem-sucedidas em IA
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