Uso da IA na auditoria viabiliza testagem de 100% das transações dos clientes

31 mar. 2026

Anteriormente dependente de testes por amostragem, o trabalho de auditoria está passando na EY por uma revolução tecnológica

A adoção de inteligência artificial pela EY na auditoria está transformando profundamente a forma como o trabalho é realizado, tornando o processo mais inteligente, abrangente e orientado à análise estratégica do negócio do cliente. Essa transformação tecnológica, que já começa a impactar o trabalho dos fechamentos deste ano, viabiliza a ampliação amostral dos testes de auditoria, possibilitando ainda, por meio da automação, redução do esforço dedicado a atividades operacionais e repetitivas. Com isso, os profissionais passam a direcionar seu tempo e expertise para análises de maior valor agregado, que exigem julgamento profissional, visão crítica e entendimento dos riscos e do contexto do negócio.

Uma das evoluções mais significativas ocorre na auditoria da receita. No modelo tradicional, os auditores dedicavam a maior parte do tempo à conferência manual de notas fiscais, cupons e conciliações com registros contábeis e extratos bancários. Com o uso de IA e ferramentas analíticas avançadas, todas as transações passam a ser capturadas diretamente dos sistemas dos clientes, permitindo o rastreamento automático desde o reconhecimento da receita até o efetivo recebimento em caixa.

Essa abordagem não apenas amplia a cobertura dos testes, como também desloca o foco do trabalho para a análise de exceções, padrões atípicos e áreas de maior risco, fortalecendo o papel do auditor como profissional analítico e estratégico. “A automação permite que o tempo dos profissionais seja direcionado a atividades que realmente exigem julgamento, pensamento crítico e entendimento do negócio”, diz Catliane Tomiyama, sócia-líder de Assurance da EY Brasil.

Anualmente, os profissionais de auditoria da EY precisam completar treinamentos que contemplam o uso dessas novas ferramentas. “A expectativa é que essas mudanças tragam eficiência sem precedentes em atividades mais operacionais, fazendo com que os profissionais de auditoria foquem nas exceções, itens não usuais à natureza das atividades das empresas, e acompanhem a velocidade dos negócios modernos com maior segurança e precisão”, afirma a executiva.

A EY tem suas próprias ferramentas digitais e de IA, garantindo que dados confidenciais dos clientes não sejam processados em ferramentas de terceiros. Embora a IA auxilie na criação de memorandos e análises de dados, os resultados servem como apoio às conclusões, e não como base de documentação de auditoria, mantendo a necessidade de revisão profissional. A captura de dados é feita com um software global da EY que se conecta ao sistema do cliente sem modificar informações. “Antes pedíamos às empresas o arquivo do livro razão. Agora, com esse plug, nós mesmos temos acesso”, finaliza Catliane.

Busca por fluência digital e pensamento crítico

O avanço da IA e da análise de dados também impulsiona a demanda por um novo perfil de profissional, que combine sólido conhecimento técnico com fluência digital, capacidade analítica e pensamento crítico.

Essa nova demanda já reflete nas estratégias de contratação e treinamento, de acordo com o estudo “2025 Tax and Finance Operations”, realizado pela EY. Isso porque 81% dos líderes tributários e financeiros buscam profissionais com habilidades que transcendem o conhecimento técnico tradicional. Além disso, 89% dos executivos afirmam estar investindo no aprimoramento da força de trabalho existente. Foram entrevistados, entre julho e setembro do ano passado, 1,6 mil diretores tributários e financeiros provenientes de 22 setores e 30 países diferentes.

Para quase todos os respondentes, o pensamento estratégico e as habilidades de resolução de problemas, além da capacidade de pensar criticamente, serão essenciais para que os futuros profissionais consigam administrar as constantes rupturas. Nesse contexto, 78% dos líderes ressaltam a importância de habilidades de comunicação e colaboração, e 62% das organizações estão redefinindo atribuições, criando equipes dedicadas a atividades de alto valor agregado.

A inteligência artificial tem sido cada vez mais utilizada pelas empresas para inovar e tornar mais produtivo o dia a dia dos seus negócios. Há, no entanto, diversas dúvidas sobre como desenvolver e operacionalizar esses sistemas evitando os riscos que podem comprometer os resultados financeiros e a reputação das organizações. Nesse contexto, a EY lançou a série “IA aplicada aos negócios: Como utilizar essa tecnologia com segurança e governança para gerar inovação”, que, além desta reportagem, já publicou as seguintes:

IA generativa para fins tributários atende às obrigações fiscais e gera inteligência

Empresas adotam IA generativa na gestão do contencioso tributário

Monitoramento por IA das emissões de metano já é realidade na indústria de gás e petróleo

Indústria de mineração encontra alternativas à abertura de minas por meio da IA

IA possibilita uso inteligente da rede de energia para aproveitar potencial das fontes renováveis

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