As áreas tributária e financeira estão passando por uma transformação. Impulsionadas pelo avanço da inteligência artificial e pela análise de dados, as empresas estão adotando uma abordagem cada vez mais orientada por insights e análises preditivas que possam resultar em melhores decisões de negócio. “Essa mudança de paradigma exige um novo perfil de profissional tributário que seja capaz de unir conhecimento técnico com fluência digital e pensamento crítico”, diz Segundino De La Fuente, sócio de impostos da EY Brasil. “Entre as tecnologias mais demandadas está a IA, que traz novas possibilidades de tornar mais estratégica a função tributária”, completa.
Essa nova demanda já reflete nas estratégias de contratação e treinamento, de acordo com o estudo “2025 Tax and Finance Operations”, realizado pela EY. Isso porque 81% dos líderes tributários e financeiros estão buscando profissionais com habilidades que transcendem o conhecimento técnico tributário tradicional. Além disso, 89% dos executivos afirmam estar investindo no aprimoramento da força de trabalho existente. Foram entrevistados 1,6 mil diretores tributários e financeiros provenientes de 22 setores e 30 países diferentes. As entrevistas, conduzidas entre julho e setembro de 2025, resultam em um panorama abrangente sobre as tendências nos próximos anos.
Embora o domínio das normas fiscais continue entre os principais critérios de contratação, o estudo da EY destaca que as habilidades intangíveis ganharam peso inédito. Para quase todos os respondentes, o pensamento estratégico e as habilidades de resolução de problemas, além da capacidade de pensar criticamente, serão essenciais para que os futuros profissionais da área tributária consigam administrar as constantes rupturas. Nesse contexto, 78% dos líderes ressaltam a importância de habilidades de comunicação e colaboração e 62% das organizações estão redefinindo atribuições, criando equipes dedicadas a atividades de alto valor agregado.
A modernização das estratégias de contratação e retenção de talentos tornou-se urgente diante da escassez. O estudo revela que 61% dos líderes temem o impacto da aposentadoria de profissionais de nível sênior, enquanto 66% preveem prejuízos devido à redução no número de contadores que ingressam na profissão.
Ascensão do co-sourcing
O uso de co-sourcing (parceria com fornecedores externos) tem sido uma peça-chave para os executivos entrevistados. Atualmente, 69% das atividades de rotina, como coleta e limpeza de dados, conciliação e preparação de declarações, já são realizadas por parceiros externos. Essa estratégia tem gerado resultados positivos na produtividade interna: 85% dos entrevistados afirmam que o co-sourcing melhorou a capacidade da equipe de focar em consultoria e atividades financeiras de alto valor.
Isso ocorre em meio a um desafio ainda predominante das empresas de dedicar grande parte de sua jornada a tarefas operacionais. Ainda segundo o estudo da EY, 53% do tempo é gasto em atividades fiscais de rotina, com apenas 16% para atividades altamente especializadas. O objetivo dos gestores entrevistados é inverter essa balança: a meta é reduzir o tempo em rotinas para 21% e elevar para 34% em atividades especializadas.
A inteligência artificial tem sido cada vez mais utilizada pelas empresas para inovar e tornar mais produtivo o dia a dia dos seus negócios. Há, no entanto, diversas dúvidas sobre como desenvolver e operacionalizar esses sistemas evitando os riscos que podem comprometer os resultados financeiros e a reputação das organizações. Nesse contexto, a EY lançou a série “IA aplicada aos negócios: Como utilizar essa tecnologia com segurança e governança para gerar inovação”, que, além desta reportagem, já publicou as seguintes:
IA generativa para fins tributários atende às obrigações fiscais e gera inteligência
Empresas adotam IA generativa na gestão do contencioso tributário
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Estudo da EY aponta cinco tendências globais para regulamentação de IA
Monitoramento por IA das emissões de metano já é realidade na indústria de gás e petróleo
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