Uma em cada três instituições financeiras entrevistadas pela Pesquisa de Maturidade PLD/FTP, realizada pela EY, utiliza inteligência artificial para prevenção de crimes financeiros. Os modelos disruptivos de IA, que ampliam a capacidade de detectar operações e situações suspeitas de forma mais rápida e precisa, são usados por apenas 33% das IFs, com predominância das instituições de maior porte classificadas como S1 pelo Banco Central.
“Os reguladores estão incentivando o uso de IA em processos que possam auxiliar a triagem de indícios ou a identificação de padrão suspeito. Por causa do alto volume de transações, fazer isso apenas com análise humana é impossível”, diz Natalia Grigolin, sócia de Prevenção a Crimes Financeiros da EY Brasil. A utilização dessa tecnologia nos processos de prevenção a crimes financeiros tem se tornado estratégica para as IFs por ampliar a capacidade de detectar, analisar e agir sobre operações e situações suspeitas de forma muito mais rápida e precisa na comparação com os métodos tradicionais.
A IA também é explorada pelos criminosos para criar ameaças sofisticadas, como identidades sintéticas e deepfakes. Uma das fraudes que mais crescem nos Estados Unidos, de acordo com o FBI, causando perdas anuais de US$ 20 bilhões, a identidade sintética consiste na criação pelos criminosos de uma identidade falsa e híbrida, misturando dados pessoais reais com informações inventadas para formar uma pessoa fictícia. A partir disso, esses dados são usados para abrir contas bancárias, pedir crédito e aplicar golpes financeiros diversos, já que parecem autênticos nos sistemas iniciais de verificação usados pelo mercado.
Para lidar com esses desafios, a colaboração entre equipes de PLD/FTP (Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo e da Proliferação de Armas de Destruição em Massa), cibersegurança e prevenção a fraudes é essencial, a fim de fortalecer a resiliência das IFs. “É esse trabalho que permite respostas rápidas e coordenadas aos ataques e vulnerabilidades emergentes. O combate a crimes financeiros deve evoluir para um ecossistema conectado, em que governança, inteligência e operações trabalham de forma coordenada, apoiadas por tecnologia e dados centralizados”, observa Grigolin.
Aprendizado de máquina
Ainda segundo o estudo da EY, 14% das instituições já utilizam monitoramento de transações suspeitas baseado em aprendizado de máquina e 11% usam aprendizado de máquina na classificação de risco/análise de risco. Apenas 9% usam IA generativa como assistente de análise de operações. Menos de 10% adotam essa tecnologia como assistente de análise de operações suspeitas; como assistente das áreas de negócios com dúvidas de PLD/FTP; e como agente de captura de mídias.
“Também menos de 10% usam redes complexas e machine learning para identificação do caminho do dinheiro, o que demonstra o longo caminho pela frente para aproveitar da melhor forma a IA nesses processos”, finaliza Grigolin. Nas instituições financeiras classificadas como S4 e S5 pelo BC, o desafio é ainda maior, já que a pesquisa revelou que mais de 76% não usam modelo de IA nas atividades de PLD/FTP.
A Pesquisa de Maturidade PLD/FTP contou com a participação de 51 instituições financeiras de diferentes setores e portes institucionais. No recorte por setor de atuação, os bancos comerciais lideram a amostra, com 19 instituições respondentes, representando 37% do total de respondentes. Em seguida, aparecem as seguradoras, com 12 participantes (24% do total), e as instituições de pagamento, com seis respondentes (12%).
A inteligência artificial tem sido cada vez mais utilizada pelas empresas para inovar e tornar mais produtivo o dia a dia dos seus negócios. Há, no entanto, diversas dúvidas sobre como desenvolver e operacionalizar esses sistemas evitando os riscos que podem comprometer os resultados financeiros e a reputação das organizações. Nesse contexto, a EY lançou a série “IA aplicada aos negócios: Como utilizar essa tecnologia com segurança e governança para gerar inovação”, que, além desta reportagem, já publicou as seguintes:
IA generativa para fins tributários atende às obrigações fiscais e gera inteligência
Empresas adotam IA generativa na gestão do contencioso tributário
IA em 2024 requer fortalecimento da governança em assuntos como proteção de dados
Estudo da EY aponta cinco tendências globais para regulamentação de IA
Monitoramento por IA das emissões de metano já é realidade na indústria de gás e petróleo
Empresas precisam desde já adotar as melhores práticas de IA
Indústria de mineração encontra alternativas à abertura de minas por meio da IA
IA possibilita uso inteligente da rede de energia para aproveitar potencial das fontes renováveis
Educação é a base da governança em inteligência artificial
Engajamento dos C-Levels e diretores é característica em comum das empresas bem-sucedidas em IA
Conselheiros de administração no Brasil têm o desafio de inserir IA generativa na agenda de curto prazo
Uso da IA generativa pelas empresas começa com identificação do problema a ser resolvido
Cultura de dados aliada à IA melhora gestão de riscos corporativos
Erro ou criatividade da IA generativa, mesmo em nível baixo, traz riscos para as empresas
IA exige olhar para as transformações que serão viabilizadas pela tecnologia
Empresas consideram que IA generativa será complementar às iniciativas já existentes
IA generativa: 73% das empresas já estão investindo ou planejam investir dentro de um ano
Estruturação dos dados é desafio da área de gestão de riscos das organizações
IA registra mais de 90% de precisão na detecção de ameaças cibernéticas, diz estudo da EY
86% dos CIOs pretendem adquirir ou fechar parceria com plataforma de IA generativa
Uso da IA pelas varejistas traz ganhos em relação aos clientes, colaboradores e cadeia de suprimentos
Uso da IA na infraestrutura viabiliza projetos com monitoramento em tempo real
CEOs concordam que capacitação da força de trabalho vai definir liderança em IA
Geopolítica, tecnologia e ambiente regulatório desafiam departamentos jurídicos
85% dos departamentos jurídicos usam ou pretendem usar IA generativa para buscar jurisprudência
Uso da IA pelo agronegócio pode tornar Brasil ainda mais competitivo no cenário global
Sistemas de IA generativa precisam ser continuamente confrontados ou testados
Empresas podem obter incentivos fiscais com seus investimentos em IA
Uso da IA contra ameaças cibernéticas cresce entre empresas de tecnologia
IA agêntica já é realidade nas empresas de tecnologia, diz estudo da EY
Estudo da EY indica que 76% da Geração Z já usa IA na vida pessoal e no trabalho
Geração Z considera que uso da IA generativa seria desestimulado pelos professores
Geração Z sabe onde usar IA generativa, mas tem dificuldades de tirar o melhor dela
Redes sociais são principal fonte de informação sobre IA para Geração Z
63% da Geração Z considera que IA traz impacto positivo para a vida
Letramento em IA é passo inicial para implantação bem-sucedida da tecnologia
Adoção efetiva da IA nas empresas depende do engajamento dos colaboradores
Brasil está entre os líderes em índice de população confortável com uso de IA
Maioria dos brasileiros usou IA de forma consciente nos últimos seis meses
47% dos consumidores ainda não fizeram compra recomendada por IA
Detecção de ameaças e monitoramento estão entre principais usos da IA para cibersegurança
Entusiasmo sobre o futuro da IA entre os brasileiros está acima da média global
Governo tem índice mais baixo de confiança para gestão de IA
Em meio à incerteza, empreendedores focam em IA e fortalecimento da cultura
CISOs têm a oportunidade de liderar estratégia de IA das organizações