“Única forma de tornar saúde acessível e de qualidade é cuidar proativamente dos beneficiários”, dizem cofundadores da Sami

02 jun. 2026

Drs. Guilherme Berardo e Vitor Asseituno, homenageados no último EOY, destacam que a operadora de saúde participa de toda a jornada do paciente desde sua entrada, com foco em prevenção, para saber quando ele precisa de cuidado, para onde deve ir e a que custo
“Única forma de tornar saúde acessível e de qualidade é cuidar proativamente dos beneficiários”, dizem cofundadores da Sami Dr. Vitor Asseituno, da Sami, homenageado na 28ª edição do EOY

A gestão da saúde dos beneficiários, com a realização de exames preventivos, evita futuras internações. Essa dinâmica é positiva não apenas para os pacientes, evitando problemas maiores no futuro, como também para as operadoras de saúde, que reduzem seus gastos de atendimento. 

“A internação hospitalar representa entre 45% e 55% do custo total da maioria das operadoras. Como não temos escala para verticalização (ter hospitais próprios), focamos no que podemos controlar: a gestão de saúde populacional. A frequência de internação da Sami é menor do que a média da indústria”, diz o Dr. Guilherme Berardo, homenageado, junto com o Dr. Vitor Asseituno, pela 28ª edição do programa EOY – Empreendedor do Ano na categoria Emerging, que reconhece empresas com crescimento acelerado no mercado.

Leia abaixo a entrevista na íntegra.

1) Como a Sami se define no mercado de saúde, que é considerado complexo?

DR. VITOR: Gostamos de pensar na Sami como uma empresa de tecnologia que conhece profundamente de saúde populacional e que também opera como operadora. Nosso diferencial está em como perseguimos os incentivos em um mercado conflitado. Acreditamos que a única forma de tornar a saúde acessível e de qualidade em escala é cuidando dos membros – ou, como o setor prefere dizer, beneficiários – de forma proativa, e não reativa. Participamos de toda a jornada do paciente para saber quando ele precisa de cuidado, para onde deve ir e a que custo. Ao cuidar dessa jornada, o paciente confia em nós como parceiros que indicam o melhor caminho. Isso reduz internações hospitalares que poderiam ser evitadas por meio do cuidado preventivo. 

A proposta da Sami é promover saúde para reduzir o custo no longo prazo. Um exemplo é como buscamos conhecer a saúde do membro hoje, no momento em que ele compra a Sami. Geramos muito mais exames laboratoriais no começo porque queremos identificar, por exemplo, se o beneficiário é diabético, hipertenso ou obeso. Assim, podemos gerenciar sua saúde adequadamente para que, daqui a três meses, ele não recorra a um pronto-socorro em uma situação emergencial. A prevenção é muito mais barata do que a doença, mas ninguém no setor quer fazer isso porque não consegue provar o ROI (Retorno sobre Investimento). 

Após quatro anos de operação, observamos que isso se paga muito, pois reduz internação e pronto-socorro. Temos vários exemplos de intervenções digitais com impactos diretos no custo assistencial total porque estamos olhando com atenção para as pessoas. Cuidamos da saúde no dia zero para que a jornada seja de gestão, e não de susto com alguém no pronto-socorro ou UTI.

2) O setor reclama dos altos custos de operação. Como vocês lidam com a pressão financeira, especialmente sem ter hospitais próprios?

DR. GUILHERME: A internação hospitalar representa entre 45% e 55% do custo total da maioria das operadoras. Como não temos escala para verticalização (ter hospitais próprios), focamos no que podemos controlar: a gestão de saúde populacional. Para isso, investimos muito em gestão de dados logo no dia zero, na entrada do beneficiário. Nossa frequência de internação é menor do que a média da indústria.

Como mencionamos, geramos mais exames no início da jornada do membro para identificar condições como diabetes e hipertensão. Ao gerenciar isso, a frequência de internação cai drasticamente. Mais uma vez: a prevenção é mais barata do que a doença, e o mercado muitas vezes não faz isso por não conseguir provar o retorno imediato, mas nós provamos que isso se paga em quatro anos de operação.

Tem uma outra questão. Como não controlo o custo hospitalar, preciso de parceiros de muita confiança, o que é um desafio. Os hospitais deveriam ter o mesmo nível de transparência que nós, operadoras, temos perante o público e a regulação. Não é só ônus da operadora. Como não controlo a integralidade da jornada hospitalar quando o paciente entra lá, eu a acompanho proativamente com meus parceiros.

Não pretendemos comprar hospitais. Nossa aposta está nessas parcerias sólidas e na coordenação de cuidado que envolve diversas especialidades, como pediatria e ortopedia. Criamos uma jornada quase vertical, mas sem o ativo físico. O médico é a figura central e de referência. Quando o médico acredita no nosso modelo, nossas métricas de saúde se tornam equivalentes às de empresas verticalizadas.

3) Há uma crítica frequente em relação à falta de transparência no setor. Qual é a visão de vocês sobre a relação entre operadoras e prestadores?

DR. VITOR: Concordamos que falta transparência. As operadoras são reguladas e têm informações abertas, mas os hospitais também deveriam participar desse nível de transparência para que o público pudesse fazer escolhas inteligentes. É um desafio, pois quando o paciente entra no hospital parceiro, eu perco parte do domínio sobre a jornada, embora a acompanhe proativamente. 

Além disso, decisões regulatórias, como a inclusão de medicamentos milionários no rol da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), podem inviabilizar o planejamento atuarial de operadoras de qualquer tamanho. O planejamento atuarial tem como objetivo garantir a sustentabilidade financeira das operadoras, por meio de provisões técnicas e precificação. 

4) O que tem motivado a construção da Sami?

DR. GUILHERME: Este é meu terceiro empreendimento na saúde. Já montei rede de hospitais e de atenção primária. Eu e o Dr. Vitor temos a missão de oferecer saúde de qualidade em escala. 

Em um país onde 75% da população carece de cuidado adequado, principalmente no setor público, a tecnologia e a inteligência artificial dão a chance de sermos agentes transformadores. Os indicadores da Sami mostram que estamos no caminho certo para impactar o país. É um orgulho receber essa indicação do EOY.

Nova edição do EOY

Idealizado e promovido pela EY desde 1998 no Brasil, o programa Empreendedor do Ano reconhece líderes empresariais de setores e mercados distintos que, com sua visão de futuro, têm algo em comum: a vontade de transformar a realidade do país, deixando seu legado e contribuindo para a construção de um mundo de negócios melhor. 

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