Nove em cada dez CEOs no Brasil esperam por impacto decisivo da IA no negócio

07 abr. 2026

As consequências dessa tecnologia foram classificadas pelos executivos como significativas ou transformativas, esta última a mais alta do estudo da EY-Parthenon, trazendo mudanças que redefinem a forma de as empresas criarem valor e operarem

Quase nove em cada dez CEOs atuantes no Brasil (86%) esperam que a inteligência artificial cause impactos significativos ou transformativos no modelo de negócios e na operação das suas empresas nos próximos dois anos, aponta a nova edição do CEO Outlook, estudo global da EY-Parthenon. Essa porcentagem é resultado da soma de duas classificações apresentadas aos executivos entrevistados: impacto significativo (50% das respostas), cuja tecnologia de IA conduz grandes avanços e se torna fator-chave de sucesso da organização, e transformativo (36% das respostas), com a IA remodelando a forma como a empresa cria valor e opera. Apenas 12% dos respondentes consideram o impacto moderado, o que significa que a IA fornece benefícios claros em algumas áreas, mas não muda o funcionamento do negócio. Globalmente, a soma dos impactos significativos (58%) e transformativos (32%) é de 90% entre os executivos entrevistados.

“Ainda que exista questionamento do mercado sobre a extensão da capacidade de as empresas extraírem valor da IA para o crescimento dos seus negócios, há uma percepção muito forte de que essa tecnologia vai alterar o cenário de negócios, independentemente de qual seja o setor de atuação”, diz Leandro Berbert, sócio de Estratégia e Transações da EY-Parthenon. “O desafio das organizações continua sendo utilizar a IA para gerar ganho real de produtividade, demonstrando ao mercado exatamente como estão fazendo isso, a fim de justificar os altos investimentos realizados nos últimos anos”, completa.

Foram entrevistados 1,2 mil CEOs de grandes empresas em todo o mundo entre novembro e dezembro de 2025. Os executivos representam 21 países (Brasil, Canadá, México, Estados Unidos, Bélgica, Luxemburgo, Holanda, França, Alemanha, Itália, Dinamarca, Finlândia, Noruega, Suécia, Reino Unido, Austrália, China, Índia, Japão, Singapura e Coreia do Sul) e cinco segmentos (bens de consumo e saúde, serviços financeiros, indústria e energia, infraestrutura, tecnologia, mídia e telecomunicações). As receitas globais anuais das empresas pesquisadas são as seguintes: menos de US$ 500 milhões (20%); US$ 500 milhões a US$ 999,9 milhões (20%); US$ 1 bilhão a US$ 4,9 bilhões (30%); e superiores a US$ 5 bilhões (30%).

Aprendizado de máquina

Ainda segundo o estudo da EY-Parthenon, 61% dos executivos atuantes no Brasil consideram que machine learning, que analisa os dados para fazer predições e possibilitar a tomada de decisões mais assertivas, é o recurso de IA que exercerá o principal papel para entregar a transformação esperada nas suas organizações. Na sequência, com 43% das respostas, aparece IA generativa, que cria conteúdo em texto, imagem e código. Fechando o trio de recursos mais escolhidos está o processamento de linguagem natural (NLP, na sigla em inglês) com 33% das respostas, que entende a linguagem humana e responde a essas interações. Participaram dessa pergunta, podendo selecionar até duas respostas, apenas os entrevistados que escolheram impacto transformativo, significativo ou moderado.

Por fim, o levantamento da EY-Parthenon buscou compreender dos CEOs que atuam no Brasil os principais desafios que sua organização enfrenta ao decidir priorizar as iniciativas de IA. Da mesma forma que a pergunta anterior, eles puderam escolher até duas respostas. Como primeira prioridade, com 22% da preferência, a resposta mais citada foi crescimento dos riscos de cibersegurança causado pela adoção da IA, seguida, com 16% das respostas, de saber distinguir o hype de oportunidades realmente viáveis comercialmente. Empatadas na terceira colocação, com 12% da preferência, apareceram as opções “custos altos de implementação e retornos incertos” e “desalinhamento da liderança em relação às prioridades de IA e apetite ao risco”.

A inteligência artificial tem sido cada vez mais utilizada pelas empresas para inovar e tornar mais produtivo o dia a dia dos seus negócios. Há, no entanto, diversas dúvidas sobre como desenvolver e operacionalizar esses sistemas evitando os riscos que podem comprometer os resultados financeiros e a reputação das organizações. Nesse contexto, a EY lançou a série “IA aplicada aos negócios: Como utilizar essa tecnologia com segurança e governança para gerar inovação”, que, além desta reportagem, já publicou as seguintes:

IA generativa para fins tributários atende às obrigações fiscais e gera inteligência

Empresas adotam IA generativa na gestão do contencioso tributário

Monitoramento por IA das emissões de metano já é realidade na indústria de gás e petróleo

Indústria de mineração encontra alternativas à abertura de minas por meio da IA

IA possibilita uso inteligente da rede de energia para aproveitar potencial das fontes renováveis

Educação é a base da governança em inteligência artificial

Engajamento dos C-Levels e diretores é característica em comum das empresas bem-sucedidas em IA

Conselheiros de administração no Brasil têm o desafio de inserir IA generativa na agenda de curto prazo

Uso da IA generativa pelas empresas começa com identificação do problema a ser resolvido

Cultura de dados aliada à IA melhora gestão de riscos corporativos

Erro ou criatividade da IA generativa, mesmo em nível baixo, traz riscos para as empresas

IA exige olhar para as transformações que serão viabilizadas pela tecnologia

Empresas consideram que IA generativa será complementar às iniciativas já existentes

IA generativa: 73% das empresas já estão investindo ou planejam investir dentro de um ano

Estruturação dos dados é desafio da área de gestão de riscos das organizações

IA registra mais de 90% de precisão na detecção de ameaças cibernéticas, diz estudo da EY

86% dos CIOs pretendem adquirir ou fechar parceria com plataforma de IA generativa

Uso da IA pelas varejistas traz ganhos em relação aos clientes, colaboradores e cadeia de suprimentos

Uso da IA na infraestrutura viabiliza projetos com monitoramento em tempo real

CEOs concordam que capacitação da força de trabalho vai definir liderança em IA

Geopolítica, tecnologia e ambiente regulatório desafiam departamentos jurídicos

85% dos departamentos jurídicos usam ou pretendem usar IA generativa para buscar jurisprudência

Uso da IA pelo agronegócio pode tornar Brasil ainda mais competitivo no cenário global

Sistemas de IA generativa precisam ser continuamente confrontados ou testados

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Uso da IA contra ameaças cibernéticas cresce entre empresas de tecnologia

IA agêntica já é realidade nas empresas de tecnologia, diz estudo da EY

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63% da Geração Z considera que IA traz impacto positivo para a vida

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Brasil está entre os líderes em índice de população confortável com uso de IA

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Em meio à incerteza, empreendedores focam em IA e fortalecimento da cultura

CISOs têm a oportunidade de liderar estratégia de IA das organizações

Uso de IA para prevenção de crimes financeiros ainda é incipiente, indica estudo da EY

Cresce busca por profissionais tributários com fluência em IA, aponta estudo da EY

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45% das empresas reconhecem que dificuldade com tecnologia prejudica função tributária

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