No seu sexto ano de vigência, o Marco Legal do Saneamento continua estimulando os investimentos no fornecimento de água e no esgotamento sanitário para a população. O Brasil definiu como meta universalizar esses serviços até dezembro de 2033. A O2eco Tecnologia Ambiental dos sócios Newton Ferraro, Luís Magalhães e Matheus Muller, que foram escolhidos os representantes da categoria Impacto na 28ª edição do programa EOY – Empreendedor do Ano, atua nesse mercado ainda ascendente. Essa categoria do EOY é voltada para empresas que nasceram com a missão de responder aos desafios socioambientais em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (Organização das Nações Unidas), que se guiem pelos princípios de ESG e que apresentem soluções com resultados efetivos.
“Os players de saneamento amadureceram porque passaram a identificar os desafios prioritários, deixando de lado aquela visão de que daria para levar saneamento rapidamente para todos. Nosso papel nesse ecossistema é oferecer soluções que contribuam para a regeneração de rios, mananciais e lagos”, explicam Newton, Luís e Matheus. Entre os desafios prioritários do setor estão a gestão de resíduos e a regeneração de corpos hídricos. É justamente nesse nicho que a O2eco se especializou, oferecendo tecnologias que viabilizam desde a redução de resíduos industriais até a recuperação da saúde, sem o uso de produtos químicos nocivos, dos fluxos de água.
Leia abaixo a entrevista na íntegra.
1) Qual é a avaliação de vocês sobre o mercado de saneamento no Brasil e como a O2eco se insere nesse contexto?
NEWTON, LUÍS E MATHEUS: Continuamos, a exemplo dos últimos anos, em um momento favorável. Lembrando que já estamos no sexto ano do Novo Marco Legal do Saneamento Básico no Brasil. Percebemos que houve de forma geral um amadurecimento dos players, que passaram a identificar os desafios prioritários, deixando de lado aquela visão um pouco romântica de que daria para levar rapidamente os serviços de saneamento para o Brasil inteiro.
Nosso papel nesse ecossistema é oferecer soluções que contribuam para a regeneração de rios, mananciais e lagos. Isso significa que nosso negócio é alinhar meio ambiente e saneamento. Conseguimos, por exemplo, eliminar poluentes de um rio de uma captação de água como a da Sabesp, em São Paulo, o que traz economia no uso de produtos químicos e impacto positivo na biota e no ecossistema, beneficiando toda a sociedade. Desenvolvemos o sistema de desaguamento Salus, que revoluciona o deságue de resíduos e efluentes, oferecendo uma solução inovadora e sustentável para pequenas e médias estações de tratamento.
Uma dor da indústria é que, quando você retira o lodo, elimina também 95% de água. Em uma cervejaria, por exemplo, em que o recurso principal é água, você está descartando 95% de água no lodo. Com o nosso sistema, esse problema é resolvido, por meio do recurso plug and play em que o lodo é bombeado por um sistema de polímeros para que haja uma reação físico-química.
O resultado disso é que a parte sólida fica floculada dentro de uma caçamba, e a água volta já filtrada para a indústria. Ao fazer isso, apenas a parte sólida vai para o aterro. Se uma indústria necessitava de 300 caminhões saindo para levar esse lodo, ela passa a precisar de menos da metade com nosso sistema. Temos um cliente de bebidas que tem recuperado 42 milhões de litros de água por ano no seu processo produtivo.
2) Estamos falando então de economia circular da água?
NEWTON, LUÍS E MATHEUS: Exatamente. Nossa solução proporciona que mais água seja reutilizada, contribuindo inclusive para a segurança hídrica no estado de São Paulo. No entanto, essa água precisa, em alguns casos, ser usada para objetivos específicos. Se estivermos falando de uma ETA (Estação de Tratamento de Água), ela recircula na própria estação na medida em que volta para o início do processo e se torna potável novamente.
No caso de uma ETE (Estação de Tratamento de Esgoto), a água é mantida em ciclo fechado, com desinfecção por ozônio, podendo ser usada como não potável em descargas sanitárias. Alguns parceiros utilizam a parte sólida resultante do nosso trabalho para a agricultura, para fins de compostagem, o que também é circularidade.
3) Vocês utilizam o termo "bioestimulação" para limpeza de mananciais. Como isso se diferencia dos métodos tradicionais?
NEWTON, LUÍS E MATHEUS: O método comum em uma captação de água com algas ou cianobactérias usa algicidas, que são produtos químicos nocivos. Nós não usamos nada químico ou exógeno. Consideramos que o próprio meio se autorregula desde que estimulado adequadamente. Por isso, aplicamos um substrato inerte que serve de moradia para as bactérias benéficas que já existem no próprio meio. Para fazer uma comparação com o dia a dia das pessoas, isso é como dar um probiótico, cuja função é fortalecer o sistema imunológico, para o rio.
No caso do Rio Pinheiros, em São Paulo, por exemplo, a carga de esgoto é oito milhões de vezes superior à capacidade de processamento ou de regeneração da natureza. Quando colocamos o substrato, aumentamos essa capacidade em milhões de vezes, pois fazemos com que essas bactérias benéficas absorvam mais sujeira, permitindo que o meio se autorregule. É claro que isso somente não é desejável, devendo ser aplicado em conjunto com políticas de despoluição das águas.
Estamos trabalhando, por exemplo, no Rio de Janeiro, com a visão de que é preciso tratar os rios secundários antes que eles desaguem no principal. Caso contrário, você cai no erro da limpeza da piscina, que é limpar o centro dela enquanto a sujeira continua entrando pelas bordas. O objetivo final deve ser a regeneração de toda a cadeia hídrica.
4) Qual é a importância das parcerias com o setor público para que essa tecnologia ganhe escala?
NEWTON, LUÍS E MATHEUS: As PPPs (Parcerias Público-Privadas) e concessões representam instrumentos relevantes. É papel do governo garantir água e saneamento para a população, conforme prevê o Novo Marco Legal do Saneamento, e as parcerias ajudam a destravar possíveis amarras burocráticas. Saneamento é saúde: cada real investido no setor economiza quatro reais em gastos hospitalares.
Nosso foco são as pequenas e médias estações de tratamento, que muitas vezes não têm as centrífugas das grandes plantas. Só no Paraná, identificamos mais de 200 estações inseridas nesse contexto que precisam da nossa solução.
5) O que significa para vocês a escolha como representantes da categoria Impacto?
NEWTON, LUÍS E MATHEUS: É o reconhecimento do trabalho realizado até aqui. Estamos muito felizes com isso. Desde o início, atuamos com o propósito de, por meio da nossa atividade, contribuir para a preservação e regeneração do meio ambiente, possibilitando a reutilização da água, que é o recurso mais importante para a vida.
Nova edição do EOY
Idealizado e promovido pela EY desde 1998 no Brasil, o programa Empreendedor do Ano reconhece líderes empresariais de setores e mercados distintos que, com sua visão de futuro, têm algo em comum: a vontade de transformar a realidade do país, deixando seu legado e contribuindo para a construção de um mundo de negócios melhor.
As inscrições já estão abertas para a 29ª edição. Inscreva-se neste link!
Clique aqui para saber mais sobre as edições anteriores do EOY.
Este conteúdo faz parte da série da Agência EY com representantes homenageados da edição 2025 do programa EOY - Empreendedor do Ano. Leia as entrevistas anteriores:
“Em apenas 17 anos, fomos de zero a quatro milhões de alunos”, diz Ari de Sá Neto, da Arco Educação
"Nosso plano é dobrar de tamanho em três anos", diz Ralf Sebold, da Bold
“Winning Women preparou minha empresa para a venda”, diz Marilia Frazillio, da FF Solutions
“Gás natural é matriz que melhor reúne custo, confiabilidade e sustentabilidade”, diz Luiz Coutinho, da Origem Energia
“Meu negócio pivotou no programa Winning Women”, diz Vitória Oliveira, CEO da Connectabil
“O alimento da população virá cada vez mais do mar”, diz Thiago De Luca, da Frescatto
“Winning Women trouxe visão completa do meu negócio”, diz Flávia Rios, da Rede Comunicação
“É possível construir uma empresa de tecnologia com transformação social”, diz Emerson de Lima, da Sauter
“Desde 2017, fizemos 21 aquisições, o que mostra capacidade de execução”, diz a Dra. Jeane Tsutsui, do Grupo Fleury
“Quatro mil foragidos foram presos depois de identificados pela IA”, diz Eduardo Lima, da Avantia
“As pessoas não sabem, mas procrastinação é prima da ansiedade e depressão”, diz Leonardo Simão, da Calma da Mente
“No Winning Women, percebi que empreender não precisa ser algo solitário”, diz Mônica Schimenes, da MCM Brand Experience
“Nossa proposta de valor é ser a opção mais gostosa dentro do saudável”, diz Otto Guarnieri, da Mais Mu
“O autista não tem o mundo dele. O mundo do autista é esse de todos nós”, diz Natália Inês Costa, do CENSA
“Faturamento cresceu 89% como resultado do Winning Women”, destacam irmãs à frente da Obratec Engenharia
“Única forma de tornar saúde acessível e de qualidade é cuidar proativamente dos beneficiários”, dizem cofundadores da Sami