O Brasil aparece em posição de destaque na nova edição do Sentiment Index, ranking global criado pela EY para medir a utilização de inteligência artificial e a percepção das pessoas em relação a essa tecnologia. Na amostra brasileira, 95% dos entrevistados afirmam que já estão usando inteligência artificial – dez pontos percentuais acima da média global (85%). Já 21% dizem que utilizam agentes de IA, cuja característica principal é operar de forma autônoma, sem necessidade de participação humana, contra 16% da média global. Por fim, 47% dos brasileiros afirmam que possuem treinamento ou educação relevante em torno da IA. Essa porcentagem representa mais do que o dobro da média global (23%).
Os resultados citados fazem com que a classificação do Brasil no estudo seja a de mercado pioneiro na adoção da IA. Essa classificação de pioneiro é concedida depois da análise pela pesquisa de três variáveis. A primeira diz respeito à porcentagem de entrevistados em cada mercado que utilizou IA de alguma forma nos últimos seis meses. A segunda se refere à parcela em cada mercado que usou agentes de IA nos últimos seis meses. Por fim, a terceira corresponde ao indicador médio do nível de conforto dos entrevistados com a IA, o impacto que essa tecnologia está tendo em suas vidas e em seu país ou região, assim como o entusiasmo em relação ao futuro da IA. A pesquisa dá o mesmo peso para essas três variáveis, sendo que os países e regiões com melhor classificação aparecem no ranking como mercados pioneiros.
"São no total apenas oito mercados pioneiros e que estão, portanto, mais avançados na jornada com IA, o que significa que seu uso é mais amplo, frequente e integrado ao cotidiano", destaca David Dias, sócio-líder de inteligência artificial da EY na América Latina. "O Brasil aparece ao lado de Índia, China, México, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Hong Kong e Coreia do Sul", completa. Ainda segundo o executivo, ao considerar a amostra total do estudo formada por 23 mercados e mais de 18 mil pessoas, esse desempenho adquire relevância ainda maior, com o Brasil à frente dos Estados Unidos, do Japão e da Alemanha, assim como outras economias mais desenvolvidas e de uso intensivo de tecnologia nos mais diversos setores econômicos.
Governança dos sistemas de IA
Ainda que os brasileiros apareçam como usuários assíduos da IA, eles demonstram preocupação com a segurança desses sistemas e com a prestação de contas pelo uso por parte das organizações. Mais de sete em cada dez (75%) têm receio de que os sistemas de IA sejam hackeados ou violados. Já 61% estão preocupados se as organizações vão falhar em cumprir suas políticas de IA ou regulações em torno dessa tecnologia. Além disso, 71% demonstram preocupação com as organizações não se responsabilizando pelo uso da IA que leva a consequências negativas. Por fim, 74% consideram que a supervisão humana é necessária, mesmo que a IA tenha alto índice de precisão.
“Também considerando a amostra brasileira, somente 46% dizem que confiam nas organizações para proteger seus dados. Ou seja, a porcentagem dos que não confiam é maior”, diz Andrei Graça, sócio-líder de inteligência artificial e dados da EY Brasil. Na avaliação do executivo, essa é mais uma evidência da necessidade de adotar uma rígida governança, que seja aplicável a todos os profissionais e departamentos das organizações, para gerir os sistemas e agentes de IA.
“Apenas dessa forma, com aplicação da IA seguindo uma governança, é possível avançar na percepção de confiança dos consumidores e demais stakeholders em relação a essa tecnologia. Não se trata apenas de usar a IA, mas de saber aplicá-la no dia a dia do negócio em conformidade com frameworks e metodologias que considerem de fato os riscos aos quais as organizações estão sujeitas no uso dessa tecnologia", finaliza Andrei.
A inteligência artificial tem sido cada vez mais utilizada pelas empresas para inovar e tornar mais produtivo o dia a dia dos seus negócios. Há, no entanto, diversas dúvidas sobre como desenvolver e operacionalizar esses sistemas evitando os riscos que podem comprometer os resultados financeiros e a reputação das organizações. Nesse contexto, a EY lançou a série “IA aplicada aos negócios: Como utilizar essa tecnologia com segurança e governança para gerar inovação”, que, além desta reportagem, já publicou as seguintes:
IA generativa para fins tributários atende às obrigações fiscais e gera inteligência
Empresas adotam IA generativa na gestão do contencioso tributário
Monitoramento por IA das emissões de metano já é realidade na indústria de gás e petróleo
Indústria de mineração encontra alternativas à abertura de minas por meio da IA
IA possibilita uso inteligente da rede de energia para aproveitar potencial das fontes renováveis
Educação é a base da governança em inteligência artificial
Engajamento dos C-Levels e diretores é característica em comum das empresas bem-sucedidas em IA
Conselheiros de administração no Brasil têm o desafio de inserir IA generativa na agenda de curto prazo
Uso da IA generativa pelas empresas começa com identificação do problema a ser resolvido
Cultura de dados aliada à IA melhora gestão de riscos corporativos
Erro ou criatividade da IA generativa, mesmo em nível baixo, traz riscos para as empresas
IA exige olhar para as transformações que serão viabilizadas pela tecnologia
Empresas consideram que IA generativa será complementar às iniciativas já existentes
IA generativa: 73% das empresas já estão investindo ou planejam investir dentro de um ano
Estruturação dos dados é desafio da área de gestão de riscos das organizações
IA registra mais de 90% de precisão na detecção de ameaças cibernéticas, diz estudo da EY
86% dos CIOs pretendem adquirir ou fechar parceria com plataforma de IA generativa
Uso da IA pelas varejistas traz ganhos em relação aos clientes, colaboradores e cadeia de suprimentos
Uso da IA na infraestrutura viabiliza projetos com monitoramento em tempo real
CEOs concordam que capacitação da força de trabalho vai definir liderança em IA
Geopolítica, tecnologia e ambiente regulatório desafiam departamentos jurídicos
85% dos departamentos jurídicos usam ou pretendem usar IA generativa para buscar jurisprudência
Uso da IA pelo agronegócio pode tornar Brasil ainda mais competitivo no cenário global
Sistemas de IA generativa precisam ser continuamente confrontados ou testados
Empresas podem obter incentivos fiscais com seus investimentos em IA
Uso da IA contra ameaças cibernéticas cresce entre empresas de tecnologia
IA agêntica já é realidade nas empresas de tecnologia, diz estudo da EY
Estudo da EY indica que 76% da Geração Z já usa IA na vida pessoal e no trabalho
Geração Z considera que uso da IA generativa seria desestimulado pelos professores
Geração Z sabe onde usar IA generativa, mas tem dificuldades de tirar o melhor dela
Redes sociais são principal fonte de informação sobre IA para Geração Z
63% da Geração Z considera que IA traz impacto positivo para a vida
Letramento em IA é passo inicial para implantação bem-sucedida da tecnologia
Adoção efetiva da IA nas empresas depende do engajamento dos colaboradores
Brasil está entre os líderes em índice de população confortável com uso de IA
Maioria dos brasileiros usou IA de forma consciente nos últimos seis meses
47% dos consumidores ainda não fizeram compra recomendada por IA
Detecção de ameaças e monitoramento estão entre principais usos da IA para cibersegurança
Entusiasmo sobre o futuro da IA entre os brasileiros está acima da média global
Governo tem índice mais baixo de confiança para gestão de IA
Em meio à incerteza, empreendedores focam em IA e fortalecimento da cultura
CISOs têm a oportunidade de liderar estratégia de IA das organizações
Uso de IA para prevenção de crimes financeiros ainda é incipiente, indica estudo da EY
Cresce busca por profissionais tributários com fluência em IA, aponta estudo da EY
Dificuldades com IA e cibersegurança são principais riscos para telecom neste ano, diz estudo da EY
45% das empresas reconhecem que dificuldade com tecnologia prejudica função tributária
Uso da IA na auditoria viabiliza testagem de 100% das transações dos clientes
Nove em cada dez CEOs no Brasil esperam por impacto decisivo da IA no negócio
CEOs no Brasil consideram que IA atende ou excede expectativas, diz estudo da EY-Parthenon
Para gerir milhares de agentes de IA, empresas adotam novo modelo de governança