Busca por talentos que dominem IA e outras tecnologias é prioridade do agro

24 ago. 2026

A gestão de pessoas está na segunda posição entre as principais preocupações do setor, refletindo a urgência em formar, atrair e reter talentos qualificados em um contexto de uso intensivo de tecnologia no campo

A segunda maior preocupação dos executivos de agronegócio neste momento é a gestão de pessoas, especialmente atração, desenvolvimento e retenção, além de cultura organizacional, revela o estudo “Top 10 riscos e oportunidades no agro em 2026”, elaborado pela EY. Isso ocorre em um contexto de mudança estrutural impulsionada pela digitalização acelerada, pelo crescimento do setor e pela profissionalização das operações. Em 2022, último ano da pesquisa, a gestão de pessoas ocupava o oitavo lugar entre as preocupações do agronegócio, o que demonstra seu ganho de relevância na visão dos executivos.

“A capacidade de qualificação dos profissionais não acompanhou o ritmo da inovação tecnológica, criando um déficit estimado de cerca de 180 mil profissionais técnicos no país para operar drones, sensores, sistemas digitais, automação e agricultura de precisão. Ao mesmo tempo, grande parte dos trabalhadores do campo possui baixa escolaridade, o que limita o acesso às novas profissões do agro e restringe o potencial de evolução técnica do setor”, destaca Otavio Lopes, sócio-líder de agronegócio da EY. Ainda segundo o executivo, a automação tende a reduzir parte da força de trabalho e aumentar a complexidade das funções remanescentes, deslocando o perfil ocupacional para atividades mais qualificadas. “Sem programas de reskilling e upskilling, há risco de exclusão profissional e formação de gargalos produtivos”, completa.  

O levantamento da EY destaca ainda que líderes e CFOs do agronegócio relatam, entre os motivos para a escassez de talentos digitais e para a alta rotatividade do setor, a dificuldade de atrair jovens em busca de propósito e qualidade de vida, além de desalinhamento cultural em contratações, em um ambiente de competição crescente em setores como tecnologia, fintechs e varejo. 

“O estudo sugere então algumas ações para reverter esse cenário como investimento em marca empregadora, propósito e impacto social; oferta de incentivos adicionais para regiões remotas onde muitas dessas empresas estão localizadas; e manutenção de comunicação e engajamento contínuos com comunidades de talentos”, observa Otavio. Há ainda a necessidade de desenvolver líderes capazes de promover segurança psicológica, autonomia e senso de pertencimento nos colaboradores, combinada com a estruturação de planos de carreiras e modelos de reconhecimento transparentes, trabalhando o clima organizacional e a experiência do colaborador como diferenciais de retenção.

Revolução tecnológica

Nos últimos anos, o agronegócio vem passando por uma revolução tecnológica. São quatro pilares nesse processo, de acordo com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e o MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária): agricultura de precisão e sensoriamento remoto; Internet das Coisas (IoT) e maquinários conectados; inteligência artificial e big data; e biotecnologia e bioinsumos. 

Os drones e imagens de satélite são usados para mapear detalhadamente lavouras, permitindo a contagem de plantas, a identificação de falhas de plantio e a detecção precoce de focos de pragas, doenças e estresse hídrico. Já os sensores de solo e clima instalados nas propriedades medem parâmetros como umidade, temperatura e condutividade elétrica do solo em tempo real. Essas tecnologias fazem parte do primeiro pilar, permitindo a chamada agricultura de precisão. 

Paralelamente, como parte do pilar de IA, os algoritmos de machine learning analisam históricos climáticos, dados de solo e imagens para gerar mapas de produtividade, prever a ocorrência de pragas e auxiliar na tomada de decisões estratégicas. 

Na outra ponta, para tornar mais efetivo o uso dos maquinários, tratores, pulverizadores e colheitadeiras equipados com receptores GPS e sistemas de orientação de alta precisão reduzem sobreposições na aplicação e otimizam trajetos. Além disso, o uso de IoT permite que os equipamentos sejam capazes de dosar sementes, fertilizantes e defensivos de forma automatizada, ajustando a quantidade para cada metro quadrado do terreno. 

Por fim, como parte do pilar de biotecnologia e bioinsumos, destaque para a fixação biológica de nitrogênio e inoculantes, que utiliza microrganismos benéficos para fornecer nutrientes às plantas de forma natural, reduzindo assim a necessidade de adubos químicos sintéticos. O controle biológico e biodefensivos também fazem parte desse pilar, por meio do uso de inimigos naturais para controlar populações de pragas e doenças de forma sustentável.

A inteligência artificial tem sido cada vez mais utilizada pelas empresas para inovar e tornar mais produtivo o dia a dia dos seus negócios. Há, no entanto, diversas dúvidas sobre como desenvolver e operacionalizar esses sistemas evitando os riscos que podem comprometer os resultados financeiros e a reputação das organizações. Nesse contexto, a EY lançou a série “IA aplicada aos negócios: Como utilizar essa tecnologia com segurança e governança para gerar inovação”, que, além desta reportagem, já publicou as seguintes:

IA generativa para fins tributários atende às obrigações fiscais e gera inteligência

Empresas adotam IA generativa na gestão do contencioso tributário

Monitoramento por IA das emissões de metano já é realidade na indústria de gás e petróleo

Indústria de mineração encontra alternativas à abertura de minas por meio da IA

IA possibilita uso inteligente da rede de energia para aproveitar potencial das fontes renováveis

Educação é a base da governança em inteligência artificial

Engajamento dos C-Levels e diretores é característica em comum das empresas bem-sucedidas em IA

Conselheiros de administração no Brasil têm o desafio de inserir IA generativa na agenda de curto prazo

Uso da IA generativa pelas empresas começa com identificação do problema a ser resolvido

Cultura de dados aliada à IA melhora gestão de riscos corporativos

Erro ou criatividade da IA generativa, mesmo em nível baixo, traz riscos para as empresas

IA exige olhar para as transformações que serão viabilizadas pela tecnologia

Empresas consideram que IA generativa será complementar às iniciativas já existentes

IA generativa: 73% das empresas já estão investindo ou planejam investir dentro de um ano

Estruturação dos dados é desafio da área de gestão de riscos das organizações

IA registra mais de 90% de precisão na detecção de ameaças cibernéticas, diz estudo da EY

86% dos CIOs pretendem adquirir ou fechar parceria com plataforma de IA generativa

Uso da IA pelas varejistas traz ganhos em relação aos clientes, colaboradores e cadeia de suprimentos

Uso da IA na infraestrutura viabiliza projetos com monitoramento em tempo real

CEOs concordam que capacitação da força de trabalho vai definir liderança em IA

Geopolítica, tecnologia e ambiente regulatório desafiam departamentos jurídicos

85% dos departamentos jurídicos usam ou pretendem usar IA generativa para buscar jurisprudência

Uso da IA pelo agronegócio pode tornar Brasil ainda mais competitivo no cenário global

Sistemas de IA generativa precisam ser continuamente confrontados ou testados

Empresas podem obter incentivos fiscais com seus investimentos em IA

Uso da IA contra ameaças cibernéticas cresce entre empresas de tecnologia

IA agêntica já é realidade nas empresas de tecnologia, diz estudo da EY

Estudo da EY indica que 76% da Geração Z já usa IA na vida pessoal e no trabalho

Geração Z considera que uso da IA generativa seria desestimulado pelos professores

Geração Z sabe onde usar IA generativa, mas tem dificuldades de tirar o melhor dela

Redes sociais são principal fonte de informação sobre IA para Geração Z

63% da Geração Z considera que IA traz impacto positivo para a vida

Letramento em IA é passo inicial para implantação bem-sucedida da tecnologia

Adoção efetiva da IA nas empresas depende do engajamento dos colaboradores

Brasil está entre os líderes em índice de população confortável com uso de IA

Maioria dos brasileiros usou IA de forma consciente nos últimos seis meses

47% dos consumidores ainda não fizeram compra recomendada por IA

Detecção de ameaças e monitoramento estão entre principais usos da IA para cibersegurança

Entusiasmo sobre o futuro da IA entre os brasileiros está acima da média global

Governo tem índice mais baixo de confiança para gestão de IA

Em meio à incerteza, empreendedores focam em IA e fortalecimento da cultura

CISOs têm a oportunidade de liderar estratégia de IA das organizações

Uso de IA para prevenção de crimes financeiros ainda é incipiente, indica estudo da EY

Cresce busca por profissionais tributários com fluência em IA, aponta estudo da EY

Dificuldades com IA e cibersegurança são principais riscos para telecom neste ano, diz estudo da EY

45% das empresas reconhecem que dificuldade com tecnologia prejudica função tributária

Uso da IA na auditoria viabiliza testagem de 100% das transações dos clientes

Nove em cada dez CEOs no Brasil esperam por impacto decisivo da IA no negócio

CEOs no Brasil consideram que IA atende ou excede expectativas, diz estudo da EY-Parthenon

Para gerir milhares de agentes de IA, empresas adotam novo modelo de governança

Mercado já usa IA na concessão e gestão de crédito, diz estudo da EY-Parthenon

Bancos pretendem usar IA na gestão de riscos de fraudes e crimes financeiros

Sete em cada dez executivos no Brasil pretendem elevar investimentos em IA

IA já aparece em 31% dos títulos de cargos de líderes da área de dados, diz estudo da EY

Gestores de riscos avaliam que tecnologia e cibersegurança estarão no centro da supervisão bancária

Empresas estão mudando foco da IA para obtenção efetiva de resultados

Termos de Uso

O material publicado pela Agência EY pode ser reproduzido de maneira gratuita desde que sejam colocados os créditos para a Agência EY e respeitados os termos de uso. Mais informações pelo e-mail ey@fsb.com.br.