A segunda maior preocupação dos executivos de agronegócio neste momento é a gestão de pessoas, especialmente atração, desenvolvimento e retenção, além de cultura organizacional, revela o estudo “Top 10 riscos e oportunidades no agro em 2026”, elaborado pela EY. Isso ocorre em um contexto de mudança estrutural impulsionada pela digitalização acelerada, pelo crescimento do setor e pela profissionalização das operações. Em 2022, último ano da pesquisa, a gestão de pessoas ocupava o oitavo lugar entre as preocupações do agronegócio, o que demonstra seu ganho de relevância na visão dos executivos.
“A capacidade de qualificação dos profissionais não acompanhou o ritmo da inovação tecnológica, criando um déficit estimado de cerca de 180 mil profissionais técnicos no país para operar drones, sensores, sistemas digitais, automação e agricultura de precisão. Ao mesmo tempo, grande parte dos trabalhadores do campo possui baixa escolaridade, o que limita o acesso às novas profissões do agro e restringe o potencial de evolução técnica do setor”, destaca Otavio Lopes, sócio-líder de agronegócio da EY. Ainda segundo o executivo, a automação tende a reduzir parte da força de trabalho e aumentar a complexidade das funções remanescentes, deslocando o perfil ocupacional para atividades mais qualificadas. “Sem programas de reskilling e upskilling, há risco de exclusão profissional e formação de gargalos produtivos”, completa.
O levantamento da EY destaca ainda que líderes e CFOs do agronegócio relatam, entre os motivos para a escassez de talentos digitais e para a alta rotatividade do setor, a dificuldade de atrair jovens em busca de propósito e qualidade de vida, além de desalinhamento cultural em contratações, em um ambiente de competição crescente em setores como tecnologia, fintechs e varejo.
“O estudo sugere então algumas ações para reverter esse cenário como investimento em marca empregadora, propósito e impacto social; oferta de incentivos adicionais para regiões remotas onde muitas dessas empresas estão localizadas; e manutenção de comunicação e engajamento contínuos com comunidades de talentos”, observa Otavio. Há ainda a necessidade de desenvolver líderes capazes de promover segurança psicológica, autonomia e senso de pertencimento nos colaboradores, combinada com a estruturação de planos de carreiras e modelos de reconhecimento transparentes, trabalhando o clima organizacional e a experiência do colaborador como diferenciais de retenção.
Revolução tecnológica
Nos últimos anos, o agronegócio vem passando por uma revolução tecnológica. São quatro pilares nesse processo, de acordo com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e o MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária): agricultura de precisão e sensoriamento remoto; Internet das Coisas (IoT) e maquinários conectados; inteligência artificial e big data; e biotecnologia e bioinsumos.
Os drones e imagens de satélite são usados para mapear detalhadamente lavouras, permitindo a contagem de plantas, a identificação de falhas de plantio e a detecção precoce de focos de pragas, doenças e estresse hídrico. Já os sensores de solo e clima instalados nas propriedades medem parâmetros como umidade, temperatura e condutividade elétrica do solo em tempo real. Essas tecnologias fazem parte do primeiro pilar, permitindo a chamada agricultura de precisão.
Paralelamente, como parte do pilar de IA, os algoritmos de machine learning analisam históricos climáticos, dados de solo e imagens para gerar mapas de produtividade, prever a ocorrência de pragas e auxiliar na tomada de decisões estratégicas.
Na outra ponta, para tornar mais efetivo o uso dos maquinários, tratores, pulverizadores e colheitadeiras equipados com receptores GPS e sistemas de orientação de alta precisão reduzem sobreposições na aplicação e otimizam trajetos. Além disso, o uso de IoT permite que os equipamentos sejam capazes de dosar sementes, fertilizantes e defensivos de forma automatizada, ajustando a quantidade para cada metro quadrado do terreno.
Por fim, como parte do pilar de biotecnologia e bioinsumos, destaque para a fixação biológica de nitrogênio e inoculantes, que utiliza microrganismos benéficos para fornecer nutrientes às plantas de forma natural, reduzindo assim a necessidade de adubos químicos sintéticos. O controle biológico e biodefensivos também fazem parte desse pilar, por meio do uso de inimigos naturais para controlar populações de pragas e doenças de forma sustentável.
A inteligência artificial tem sido cada vez mais utilizada pelas empresas para inovar e tornar mais produtivo o dia a dia dos seus negócios. Há, no entanto, diversas dúvidas sobre como desenvolver e operacionalizar esses sistemas evitando os riscos que podem comprometer os resultados financeiros e a reputação das organizações. Nesse contexto, a EY lançou a série “IA aplicada aos negócios: Como utilizar essa tecnologia com segurança e governança para gerar inovação”, que, além desta reportagem, já publicou as seguintes:
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