Ferramentas de IA para saúde mudam forma como consumidores buscam cuidados

27 ago. 2026

Organizações de saúde precisarão migrar do tratamento episódico e reativo para relacionamentos proativos, de acordo com estudo da EY

A Pesquisa Global de Saúde do Consumidor da EY 2026, intitulada “Como os GLP-1 e a IA estão mudando a forma como os consumidores interagem com a saúde”, traz um importante alerta: as organizações de saúde estão sob pressão crescente para redefinir seus modelos de atendimento e engajamento. Isso porque o avanço da IA e o uso de canais digitais estão transformando fundamentalmente a forma como os cidadãos interagem com o sistema de saúde, desde a busca por diagnósticos primários até a gestão de cuidados contínuos.

O estudo baseia-se em uma pesquisa global conduzida com 7.500 consumidores em 10 países, explorando como os indivíduos pesquisam, acessam e gerenciam sua saúde em um cenário de rápida digitalização e busca crescente por novos tratamentos. O relatório mostra que o consumidor moderno deixou de ser um participante passivo que apenas reage ao diagnóstico médico. Impulsionado por ferramentas de IA facilmente acessíveis e soluções diretas ao consumidor, ele assume o papel de agente ativo de sua própria jornada de saúde.

Mudança de comportamento

Uma das mudanças comportamentais mais marcantes mapeadas pela pesquisa é a migração da busca por diagnóstico e prescrição para ambientes virtuais antes de qualquer consulta humana: 56% dos consumidores relatam que já pediram, ou considerariam pedir, um exame, tratamento ou prescrição específica a um médico com base em informações que obtiveram previamente interagindo com IA.

Entre os pacientes que adiaram ou deixaram de agendar uma consulta médica tradicional, 41% atrasam o atendimento ao recorrer à busca online e 31% utilizam a IA como alternativa para tentar diagnosticar ou resolver seus sintomas. Quase três em cada quatro entrevistados dizem que em três a cinco anos é provável que as pessoas usem a tecnologia para autodiagnosticar problemas de saúde.

Apesar disso, a confiança no julgamento clínico humano permanece intacta. Os médicos ainda lideram o índice de confiança com 89%, enquanto a confiança em diagnósticos por IA figura em 68%. A IA é vista como uma ferramenta de empoderamento prévio, e não como uma substituta absoluta do médico.

Acesso a medicamentos GLP-1

O relatório da EY mostra que a maioria dos entrevistados recebe de profissionais de saúde o GLP-1, medicamentos que imitam o hormônio de mesmo nome produzido pelo intestino, ajudando a controlar o açúcar no sangue e a reduzir o apetite, mas um número crescente de pessoas obtém a partir de fontes não tradicionais.

Embora 58% dos usuários ainda obtenham suas prescrições por meio de consultas presenciais ou médicos da rede primária, 23% já acessam os medicamentos GLP-1 fora do ecossistema tradicional, recorrendo a plataformas de consumo totalmente online (20%), programas comerciais de perda de peso (20%) ou canais informais. De acordo com o estudo, os usuários de GLP-1 parecem estar mais engajados digitalmente, estando mais propensos a depender da IA: 60% contra 37% de usuários não GLP-1.

Ainda de acordo com o estudo, as organizações de saúde precisam mudar os modelos de cuidado para atender às necessidades de saúde dos consumidores na era da IA. Ao fazer isso, elas podem fortalecer o relacionamento com os pacientes, consolidando seu papel como parceiros de confiança para empoderar os consumidores, ajudá-los a tomar decisões de saúde e experimentar uma melhor saúde.

A inteligência artificial tem sido cada vez mais utilizada pelas empresas para inovar e tornar mais produtivo o dia a dia dos seus negócios. Há, no entanto, diversas dúvidas sobre como desenvolver e operacionalizar esses sistemas evitando os riscos que podem comprometer os resultados financeiros e a reputação das organizações. Nesse contexto, a EY lançou a série “IA aplicada aos negócios: Como utilizar essa tecnologia com segurança e governança para gerar inovação”, que, além desta reportagem, já publicou as seguintes:

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