Com IA se tornando commodity, foco se torna qualidade dos dados para tomada rápida de decisão

01 set. 2026

Executivos de bancos destacaram, em painel promovido pela EY no Febraban Tech, dados e pessoas como verdadeiros diferenciais competitivos em um cenário em que todos terão muito em breve acesso às mesmas tecnologias de inteligência artificial

À medida que o acesso às tecnologias de inteligência artificial se universaliza entre as empresas, torna-se premente a necessidade de buscar os verdadeiros diferenciais competitivos dessa tecnologia, que são, na avaliação dos executivos de bancos em painel promovido pela EY no Febraban Tech 2026, a qualidade dos dados e a capacidade dos profissionais que vão interpretá-los no dia a dia. Para que essa diferenciação seja realmente sustentável e em bases seguras, a governança precisa ser aplicada a todos os processos e profissionais das organizações.

“Os dados deixaram de ser vistos apenas como matéria-prima da tecnologia para se consolidarem como o fator que pode trazer vantagem competitiva”, disse Telma Luchetta, sócia-líder de Tecnologia, IA e Dados para o setor financeiro da EY Brasil, que fez a mediação do painel. 

No entanto, segundo a executiva, a integração dos dados entre os diferentes departamentos e profissionais das organizações carece ainda de efetividade. “Os dados precisam ser adicionados às discussões de estratégia de negócio desde o início. O desafio que identificamos em estudo recente com CDOs (Chief Data Officers) é que o nível de prontidão desses dados ainda deixa a desejar”, completou. A prontidão dos dados nas empresas significa tê-los limpos, estruturados, acessíveis e governados para gerar decisões confiáveis e alimentar inclusive os sistemas de inteligência artificial. "Só dá para ganhar velocidade na adoção segura de IA se a organização fizer a gestão eficiente dos seus dados”, observou.

Para as instituições financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central, a Resolução Conjunta 18/2025 estabelece diretrizes de governança e garantia da qualidade dos dados mantidos e reportados ao órgão. “Passará, portanto, a existir a obrigatoriedade de um programa de qualidade de dados. O dia 31 de dezembro deste ano marca o fim do prazo final de adequação”, disse Telma. 

A regulamentação exige a comprovação por parte dos regulados de que suas informações contábeis, operacionais e de risco não estão sujeitas a distorções ou manipulações desprovidas de rastreamento. O objetivo é garantir que toda a esteira de transformação dos dados, desde a origem nos sistemas transacionais até consolidação em relatórios regulatórios, seja documentada, protegida e possa ser auditada contra alterações manuais não controladas.

Rafael Rovani, Head de Inteligência Artificial e Analytics do Banco do Brasil, que palestrou no painel, destacou que quanto maior for o avanço na qualidade dos dados, mais rápida será a resposta na adoção da IA. “Para ter a principalidade entre os clientes [ser a principal instituição financeira do cliente em termos de utilização no dia a dia], preciso que eles confiem no banco. Isso somente é possível se eu gerar valor a partir dos dados, garantindo a governança de ponta a ponta”, disse. 

Ainda segundo Rafael, o Banco do Brasil foi o primeiro banco da América Latina a estabelecer diretrizes para a aplicação ética e responsável da IA. “O banco criou um framework de governança em 2022, que já está sendo revisitado com o auxílio da EY, já que o avanço da IA exige essa atualização”, completou.

José Loureiro, diretor de Inovação, Digital & Dados do Grupo Bradesco Seguros, concordou com Rovani, afirmando que o verdadeiro diferencial da instituição financeira está não apenas na qualidade dos seus dados, mas no entendimento do contexto do negócio e da velocidade que esses dados são tratados para tomar uma decisão. “O chamado business agility, que é essa capacidade de transformar rapidamente dados em decisões, será cada vez mais o fator determinante do sucesso”, observou.

Em relação à governança, José alertou que a adoção da IA requer mudança de mentalidade na entrega de projetos. "Não se trata de entregar e fim de papo. Os sistemas de IA precisam ser constantemente revisitados, trabalhando curadoria, qualidade dos dados, enfim, aprimorando o modelo”, disse. Ele lembrou que a IA, em caso de alucinação, exponencia o problema, já que multiplica o erro em uma escala muito maior do que se ocorresse em um processo manual. 

Para evitar o chamado “shadow AI” (uso de IA sem aprovação ou conhecimento da TI) nas empresas, o executivo defendeu que o CDO orquestre esses esforços, mostrando valor para o negócio e gerando confiança entre os colaboradores, por meio do fortalecimento da cultura de dados e da transparência.

Revolução intelectual

O programa de qualidade de dados depende dos profissionais para que gere resultados de negócio. Rafael argumentou que o conceito de data-driven (empresas guiadas por dados) já é uma etapa superada no mercado, celebrando como parte dessa superação o retorno do "protagonismo humano conectado à IA". Para o executivo, não vivemos apenas uma revolução tecnológica, mas uma revolução intelectual que afeta nossa capacidade cognitiva e senso crítico. 

"A IA dá respostas em tempo real, mas qual nossa capacidade crítica de levar à frente isso?", questionou, enfatizando o impacto nas experiências de negócios e dos clientes. Como parte desse senso crítico, é necessário conectar a IA e os dados à estratégia do negócio. "Não adianta trazer um modelo de IA se a área que estiver fazendo a implementação não tiver consciência da proposta de valor que isso vai trazer para o cliente e, por consequência, para o negócio", finalizou. 

André Mattos, CDO do Banco BMG, reforçou que as LLMs e as IAs virarão commodities, motivo pelo qual as pessoas continuarão relevantes. Ele defendeu que o valor para as organizações virá da forma como os colaboradores usarão a IA e da velocidade com que essa cultura será implementada. "O julgamento humano de verificar o melhor caminho e tomar a melhor decisão não será substituído pela IA", concluiu.

A inteligência artificial tem sido cada vez mais utilizada pelas empresas para inovar e tornar mais produtivo o dia a dia dos seus negócios. Há, no entanto, diversas dúvidas sobre como desenvolver e operacionalizar esses sistemas evitando os riscos que podem comprometer os resultados financeiros e a reputação das organizações. Nesse contexto, a EY lançou a série “IA aplicada aos negócios: Como utilizar essa tecnologia com segurança e governança para gerar inovação”, que, além desta reportagem, já publicou as seguintes:

IA generativa para fins tributários atende às obrigações fiscais e gera inteligência

Empresas adotam IA generativa na gestão do contencioso tributário

Monitoramento por IA das emissões de metano já é realidade na indústria de gás e petróleo

Indústria de mineração encontra alternativas à abertura de minas por meio da IA

IA possibilita uso inteligente da rede de energia para aproveitar potencial das fontes renováveis

Educação é a base da governança em inteligência artificial

Engajamento dos C-Levels e diretores é característica em comum das empresas bem-sucedidas em IA

Conselheiros de administração no Brasil têm o desafio de inserir IA generativa na agenda de curto prazo

Uso da IA generativa pelas empresas começa com identificação do problema a ser resolvido

Cultura de dados aliada à IA melhora gestão de riscos corporativos

Erro ou criatividade da IA generativa, mesmo em nível baixo, traz riscos para as empresas

IA exige olhar para as transformações que serão viabilizadas pela tecnologia

Empresas consideram que IA generativa será complementar às iniciativas já existentes

IA generativa: 73% das empresas já estão investindo ou planejam investir dentro de um ano

Estruturação dos dados é desafio da área de gestão de riscos das organizações

IA registra mais de 90% de precisão na detecção de ameaças cibernéticas, diz estudo da EY

86% dos CIOs pretendem adquirir ou fechar parceria com plataforma de IA generativa

Uso da IA pelas varejistas traz ganhos em relação aos clientes, colaboradores e cadeia de suprimentos

Uso da IA na infraestrutura viabiliza projetos com monitoramento em tempo real

CEOs concordam que capacitação da força de trabalho vai definir liderança em IA

Geopolítica, tecnologia e ambiente regulatório desafiam departamentos jurídicos

85% dos departamentos jurídicos usam ou pretendem usar IA generativa para buscar jurisprudência

Uso da IA pelo agronegócio pode tornar Brasil ainda mais competitivo no cenário global

Sistemas de IA generativa precisam ser continuamente confrontados ou testados

Empresas podem obter incentivos fiscais com seus investimentos em IA

Uso da IA contra ameaças cibernéticas cresce entre empresas de tecnologia

IA agêntica já é realidade nas empresas de tecnologia, diz estudo da EY

Estudo da EY indica que 76% da Geração Z já usa IA na vida pessoal e no trabalho

Geração Z considera que uso da IA generativa seria desestimulado pelos professores

Geração Z sabe onde usar IA generativa, mas tem dificuldades de tirar o melhor dela

Redes sociais são principal fonte de informação sobre IA para Geração Z

63% da Geração Z considera que IA traz impacto positivo para a vida

Letramento em IA é passo inicial para implantação bem-sucedida da tecnologia

Adoção efetiva da IA nas empresas depende do engajamento dos colaboradores

Brasil está entre os líderes em índice de população confortável com uso de IA

Maioria dos brasileiros usou IA de forma consciente nos últimos seis meses

47% dos consumidores ainda não fizeram compra recomendada por IA

Detecção de ameaças e monitoramento estão entre principais usos da IA para cibersegurança

Entusiasmo sobre o futuro da IA entre os brasileiros está acima da média global

Governo tem índice mais baixo de confiança para gestão de IA

Em meio à incerteza, empreendedores focam em IA e fortalecimento da cultura

CISOs têm a oportunidade de liderar estratégia de IA das organizações

Uso de IA para prevenção de crimes financeiros ainda é incipiente, indica estudo da EY

Cresce busca por profissionais tributários com fluência em IA, aponta estudo da EY

Dificuldades com IA e cibersegurança são principais riscos para telecom neste ano, diz estudo da EY

45% das empresas reconhecem que dificuldade com tecnologia prejudica função tributária

Uso da IA na auditoria viabiliza testagem de 100% das transações dos clientes

Nove em cada dez CEOs no Brasil esperam por impacto decisivo da IA no negócio

CEOs no Brasil consideram que IA atende ou excede expectativas, diz estudo da EY-Parthenon

Para gerir milhares de agentes de IA, empresas adotam novo modelo de governança

Mercado já usa IA na concessão e gestão de crédito, diz estudo da EY-Parthenon

Bancos pretendem usar IA na gestão de riscos de fraudes e crimes financeiros

Sete em cada dez executivos no Brasil pretendem elevar investimentos em IA

IA já aparece em 31% dos títulos de cargos de líderes da área de dados, diz estudo da EY

Gestores de riscos avaliam que tecnologia e cibersegurança estarão no centro da supervisão bancária

Empresas estão mudando foco da IA para obtenção efetiva de resultados

Busca por talentos que dominem IA e outras tecnologias é prioridade do agro

CDOs relatam controle total sobre IA em apenas 33% dos casos nas empresas

Ferramentas de IA para saúde mudam forma como consumidores buscam cuidados

Nova resolução do BC e adoção da IA exigem gestão eficiente de dados nas instituições financeiras

Termos de Uso

O material publicado pela Agência EY pode ser reproduzido de maneira gratuita desde que sejam colocados os créditos para a Agência EY e respeitados os termos de uso. Mais informações pelo e-mail ey@fsb.com.br.