Com bilhões de eventos cibernéticos diários, somente IA pode garantir defesa dos bancos

09 set. 2026

Há um paradoxo na inteligência artificial: ao mesmo tempo que potencializou as ameaças cibernéticas no setor financeiro, somente ela pode tornar efetiva a estratégia de cibersegurança, já que a resposta a um ataque agora precisa ser em segundos

A inteligência artificial se consolidou como uma ameaça ao cenário de cibersegurança, exigindo das instituições financeiras uma resposta na mesma velocidade adotada pela tecnologia. Há um paradoxo nela: ao mesmo tempo que fortalece os atacantes, a IA representa a única ferramenta que pode garantir a defesa e continuidade das operações no setor bancário. 

“Com bilhões de eventos cibernéticos diários ocorrendo por meio de centenas de ferramentas, preciso de visão centralizada e uma orquestração rápida e efetiva para identificar potenciais ameaças. Isso só pode ser feito por meio de automação forte e IA embarcada na estratégia de cibersegurança”, disse Átila Batista, gerente-executivo de cybersecurity do Banco do Brasil, que palestrou em painel realizado pela EY na edição deste ano do Febraban Tech. "Muitos ataques são lançados de forma automatizada com uso da IA. Precisamos chegar sempre antes do atacante, sem espaço para erros. Estamos falando de segundos para responder", completou.

Ainda segundo o executivo, o banco atende 80 milhões de clientes, fazendo parte de um conglomerado formado por mais de 80 empresas, o que demonstra o enorme desafio de monitorar todos esses ambientes. A dificuldade é ainda maior porque as intervenções de defesa podem prejudicar o ambiente produtivo. “Em uma instituição financeira com milhares de transações por hora, qualquer erro nos modelos de cibersegurança é sentido imediatamente, podendo gerar bloqueios desnecessários dos clientes e até mesmo impossibilitar o acesso a uma região inteira”, explicou. 

Para evitar isso, ainda segundo Átila, os modelos passam por forte governança, a fim de cumprir os aspectos regulatórios, como questões de privacidade, com as soluções de segurança operando muito próximas à área de tecnologia. “A gestão de vulnerabilidades também mudou. O foco agora é corrigir primeiro os pontos mais críticos da operação, a fim de atacar o gargalo para impedir que a ameaça evolua”, concluiu.

Prejuízo bilionário 

Já Rodrigo Carpes, sócio de consultoria em tecnologia e cibersegurança da EY, que fez a mediação do painel, acrescentou dizendo que os cibercriminosos estão mais ágeis, tendo obtido sucesso em ataques recentes aos sistemas financeiro e de pagamentos. “Ações que antes levavam semanas para explorar uma vulnerabilidade ocorrem hoje em questão de segundos por causa da IA. Em caso de sucesso, o prejuízo chega facilmente à casa dos bilhões de reais para a instituição financeira ou de pagamentos”, afirmou. “Ao mesmo tempo, temos visto o aumento de campanhas de phishing e do uso de deepfakes pelos golpistas, fazendo milhões de vítimas pelo Brasil. As táticas de engenharia social tornam os clientes mais vulneráveis”, complementou. 

Sobre esse aspecto, Leopoldo Soares, gerente de ambiente no Banco do Nordeste, defendeu a relevância de campanhas de conscientização dos clientes, a fim de que eles não caiam em golpes. “Esse também é um papel das instituições financeiras na medida em que quanto mais informado estiver o cliente sobre o funcionamento desses golpes, melhor estará preparado para recusar essas investidas dos criminosos”, disse.

Por fim, para fortalecer o trabalho de cibersegurança das empresas, Rodrigo apontou para uma tendência que está em alta entre as empresas. “A construção de Centros de Operações de Segurança (SOCs na sigla em inglês) automatizados, com capacidade rápida de resposta, contribui para esse cenário de permitir que as instituições financeiras se defendam na mesma velocidade em que são atacadas”, recomendou.

A inteligência artificial tem sido cada vez mais utilizada pelas empresas para inovar e tornar mais produtivo o dia a dia dos seus negócios. Há, no entanto, diversas dúvidas sobre como desenvolver e operacionalizar esses sistemas evitando os riscos que podem comprometer os resultados financeiros e a reputação das organizações. Nesse contexto, a EY lançou a série “IA aplicada aos negócios: Como utilizar essa tecnologia com segurança e governança para gerar inovação”, que, além desta reportagem, já publicou as seguintes:

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