Na era da IA, papel do CDO passou a ser conectar tecnologia, dados e negócios

14 set. 2026

Essa posição deixou de focar apenas no repasse de informações para órgãos reguladores e passou a utilizar os dados para fazer com que o negócio obtenha vantagem competitiva, destacaram especialistas em painel da EY no Febraban Tech

O CDO (Chief Data Officer) passou a ocupar, com a ascensão da inteligência artificial, um papel central nas organizações de atuar como orquestrador dessas iniciativas, garantindo que tecnologia, dados e negócios estejam realmente conectados. Essa foi uma das conclusões dos executivos reunidos pela EY em painel realizado na edição deste ano do Febraban Tech. “Se antes a função do CDO era desenvolver a tecnologia, agora seu papel é conectar o tripé: tecnologia, dados e negócios”, disse Marisa Reghini, vice-presidente de negócios e tecnologia do Banco do Brasil. Esse profissional precisa conhecer profundamente o negócio, além de assegurar nível elevado de prontidão dos dados, para que eles possam ser usados pela empresa na tomada de decisão.

Para Rafael Cavalcanti, diretor de AI & Data – CDO no Banco Bradesco, esse novo cenário reconfigura a atuação nas organizações, exigindo aproximação entre os profissionais, começando pelos diferentes C-Levels. “Isso tem criado uma situação curiosa: as áreas de negócios hoje pensam mais em tecnologia e dados, enquanto tecnologia e dados têm pensado mais no negócio. O resultado é maior autonomia para as pessoas, que podem colocar novos projetos em produção nesse contexto de integração”, observou. Para ele, quem melhor pensa na qualidade dos dados é quem usa efetivamente essas informações no dia a dia, motivo pelo qual há necessidade dessa abordagem holística, contemplando tecnologia, dados e negócios. “Cabe ao CDO assegurar que esse tripé está sendo fortalecido nas organizações”, afirmou.

Para que essa engrenagem funcione, a qualidade dos dados representa fator central, conforme pontuou Telma Luchetta, sócia-líder de Tecnologia, IA e Dados para o setor financeiro da EY Brasil, que fez a mediação do painel. “Os dados precisam ser usados desde o início pelas organizações na discussão da estratégia. Estudo recente da EY demonstrou que nove em cada dez CDOs usam a IA para gestão de dados de alguma forma. No entanto, somente 25% das organizações integraram a IA profundamente nesse trabalho”, disse. Por causa do crescimento da relevância dessa agenda, Telma destacou, também com base nesse levantamento, que a maioria dos CDOs obteve aumento de orçamento, sempre atrelado a metas de negócios, além de ter ocorrido um salto no número de profissionais da área e no treinamento dos colaboradores.

Rafael complementou dizendo que nota uma evolução clara no papel do CDO nos últimos cinco anos: a posição deixou de focar apenas no repasse de informações para órgãos reguladores e passou a utilizar os dados para fazer com que o negócio obtenha vantagem competitiva. O tipo de dado usado de forma estratégica, segundo ele, é diferente daquele do reporte regulatório, o que exige um olhar diferente. "Dados parados significam custo e frustração para as empresas. Dados sem operar escala representam oportunidade perdida", disse. Ele alertou que usar uma solução de IA, como um LLM, é algo que qualquer um faz, mas criar uma proposição de valor em escala e personalizada é impossível sem tecnologia e dados de qualidade.

Apesar dos avanços, a implementação da IA exige cuidados. Marisa chamou a atenção para a necessidade de criar plataformas e padrões que garantam escala, operando de forma transparente. Para isso, a governança é fundamental, inclusive para a criação de guardrails ou limites de segurança. Bernardo Castello, diretor-presidente do Bradesco Vida e Previdência, concordou com Marisa, acrescentando que o diferencial no mercado será das empresas que conseguirem abraçar essa inovação trazida pela IA para repensar processos, produtos e a proposta de valor, gerando benefícios reais na relação entre cliente e empresa. “Não adianta adotar a IA apenas para gerar eficiência interna e valor para o colaborador. É preciso focar no cliente final, o que exige uma forte transformação cultural para que as pessoas abracem a mudança”, disse. 

Faz parte dessa transformação o treinamento dos colaboradores. “Temos um programa voluntário no Banco do Brasil com essa finalidade. Neste ano, na edição sobre IA generativa, chegamos a 36 mil inscritos, o que demonstra o interesse por esse assunto nos mais diferentes níveis da organização”, afirmou Marisa.

Sistemas legados

As instituições financeiras têm em comum o desafio da modernização dos seus sistemas legados, que são infraestruturas de TI e softwares antigos que sustentam as principais operações bancárias, como processamento de conta corrente, transferências e compensações. Esses sistemas são considerados muito estáveis, processando volume enorme de dados quase sem falhas. Há dificuldade de modernizar essa infraestrutura por causa do risco de colapso operacional caso seja substituída de forma abrupta. 

“É nesse contexto que se deve olhar para o legado, não apenas o CDO como o negócio inteiro, para entender o que pode ser mantido e o que precisa ser transformado nesses sistemas, a fim de não impedir a inovação do negócio. A integração com a nuvem tem ganhado relevância na incorporação de novas tecnologias”, finalizou Marisa.

A implementação dos controles exigidos pela Resolução Conjunta 18, do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional, exige enfrentar esses desafios próprios da arquitetura de TI do setor financeiro. Tradicionalmente estruturados por vertical de produtos, como cartões, crédito, seguros e contas, os sistemas bancários legados costumam operar com bases descentralizadas e não integradas. 

“Na consolidação dos relatórios, é comum que essas falhas de integração sistêmica sejam contornadas por meio de intervenções manuais em planilhas ou ferramentas de inteligência de negócios. A norma do BC veda justamente a falta de rastreabilidade nesse processo, com a finalidade de garantir que toda a esteira de transformação dos dados seja documentada, protegida e possa ser auditada”, concluiu Telma.

A inteligência artificial tem sido cada vez mais utilizada pelas empresas para inovar e tornar mais produtivo o dia a dia dos seus negócios. Há, no entanto, diversas dúvidas sobre como desenvolver e operacionalizar esses sistemas evitando os riscos que podem comprometer os resultados financeiros e a reputação das organizações. Nesse contexto, a EY lançou a série “IA aplicada aos negócios: Como utilizar essa tecnologia com segurança e governança para gerar inovação”, que, além desta reportagem, já publicou as seguintes:

IA generativa para fins tributários atende às obrigações fiscais e gera inteligência

Empresas adotam IA generativa na gestão do contencioso tributário

Monitoramento por IA das emissões de metano já é realidade na indústria de gás e petróleo

Indústria de mineração encontra alternativas à abertura de minas por meio da IA

IA possibilita uso inteligente da rede de energia para aproveitar potencial das fontes renováveis

Educação é a base da governança em inteligência artificial

Engajamento dos C-Levels e diretores é característica em comum das empresas bem-sucedidas em IA

Conselheiros de administração no Brasil têm o desafio de inserir IA generativa na agenda de curto prazo

Uso da IA generativa pelas empresas começa com identificação do problema a ser resolvido

Cultura de dados aliada à IA melhora gestão de riscos corporativos

Erro ou criatividade da IA generativa, mesmo em nível baixo, traz riscos para as empresas

IA exige olhar para as transformações que serão viabilizadas pela tecnologia

Empresas consideram que IA generativa será complementar às iniciativas já existentes

IA generativa: 73% das empresas já estão investindo ou planejam investir dentro de um ano

Estruturação dos dados é desafio da área de gestão de riscos das organizações

IA registra mais de 90% de precisão na detecção de ameaças cibernéticas, diz estudo da EY

86% dos CIOs pretendem adquirir ou fechar parceria com plataforma de IA generativa

Uso da IA pelas varejistas traz ganhos em relação aos clientes, colaboradores e cadeia de suprimentos

Uso da IA na infraestrutura viabiliza projetos com monitoramento em tempo real

CEOs concordam que capacitação da força de trabalho vai definir liderança em IA

Geopolítica, tecnologia e ambiente regulatório desafiam departamentos jurídicos

85% dos departamentos jurídicos usam ou pretendem usar IA generativa para buscar jurisprudência

Uso da IA pelo agronegócio pode tornar Brasil ainda mais competitivo no cenário global

Sistemas de IA generativa precisam ser continuamente confrontados ou testados

Empresas podem obter incentivos fiscais com seus investimentos em IA

Uso da IA contra ameaças cibernéticas cresce entre empresas de tecnologia

IA agêntica já é realidade nas empresas de tecnologia, diz estudo da EY

Estudo da EY indica que 76% da Geração Z já usa IA na vida pessoal e no trabalho

Geração Z considera que uso da IA generativa seria desestimulado pelos professores

Geração Z sabe onde usar IA generativa, mas tem dificuldades de tirar o melhor dela

Redes sociais são principal fonte de informação sobre IA para Geração Z

63% da Geração Z considera que IA traz impacto positivo para a vida

Letramento em IA é passo inicial para implantação bem-sucedida da tecnologia

Adoção efetiva da IA nas empresas depende do engajamento dos colaboradores

Brasil está entre os líderes em índice de população confortável com uso de IA

Maioria dos brasileiros usou IA de forma consciente nos últimos seis meses

47% dos consumidores ainda não fizeram compra recomendada por IA

Detecção de ameaças e monitoramento estão entre principais usos da IA para cibersegurança

Entusiasmo sobre o futuro da IA entre os brasileiros está acima da média global

Governo tem índice mais baixo de confiança para gestão de IA

Em meio à incerteza, empreendedores focam em IA e fortalecimento da cultura

CISOs têm a oportunidade de liderar estratégia de IA das organizações

Uso de IA para prevenção de crimes financeiros ainda é incipiente, indica estudo da EY

Cresce busca por profissionais tributários com fluência em IA, aponta estudo da EY

Dificuldades com IA e cibersegurança são principais riscos para telecom neste ano, diz estudo da EY

45% das empresas reconhecem que dificuldade com tecnologia prejudica função tributária

Uso da IA na auditoria viabiliza testagem de 100% das transações dos clientes

Nove em cada dez CEOs no Brasil esperam por impacto decisivo da IA no negócio

CEOs no Brasil consideram que IA atende ou excede expectativas, diz estudo da EY-Parthenon

Para gerir milhares de agentes de IA, empresas adotam novo modelo de governança

Mercado já usa IA na concessão e gestão de crédito, diz estudo da EY-Parthenon

Bancos pretendem usar IA na gestão de riscos de fraudes e crimes financeiros

Sete em cada dez executivos no Brasil pretendem elevar investimentos em IA

IA já aparece em 31% dos títulos de cargos de líderes da área de dados, diz estudo da EY

Gestores de riscos avaliam que tecnologia e cibersegurança estarão no centro da supervisão bancária

Empresas estão mudando foco da IA para obtenção efetiva de resultados

Busca por talentos que dominem IA e outras tecnologias é prioridade do agro

CDOs relatam controle total sobre IA em apenas 33% dos casos nas empresas

Ferramentas de IA para saúde mudam forma como consumidores buscam cuidados

Nova resolução do BC e adoção da IA exigem gestão eficiente de dados nas instituições financeiras

Com IA se tornando commodity, foco se torna qualidade dos dados para tomada rápida de decisão

Ambidestria adquire relevância na governança de IA nas instituições financeiras

Bancos terão humanos e agentes de IA juntos com governança e monitoramento by design

Com bilhões de eventos cibernéticos diários, somente IA pode garantir defesa dos bancos

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