Os gestores de riscos de bancos consideram que a inteligência artificial não vai reduzir o número de postos de trabalho nessa função nos próximos três anos. Para eles, a IA tornará o dia a dia mais eficiente, mas para isso exigirá realocação dos profissionais para funções estratégicas. Essa resposta foi a mais mencionada pelos executivos entrevistados por estudo global da EY e do IIF (Institute of International Finance), com 56%.
Na sequência, com 51%, a de que será preciso contratar profissionais especializados em resposta ao aumento da necessidade em áreas como cibersegurança, sustentabilidade, computação quântica e governança em inteligência artificial. Isso porque, ainda segundo o levantamento da EY e do IIF, as ferramentas de IA ficarão com a gestão dos riscos tradicionais de negócio.
Os executivos entrevistados foram perguntados sobre suas expectativas em relação ao impacto da IA no tamanho e na composição da força de trabalho de gerenciamento de riscos nos próximos três anos, podendo escolher mais de uma resposta.
"Essas áreas citadas pelo estudo, que são cibersegurança, sustentabilidade, computação quântica e governança em IA, estão trazendo novas demandas para as instituições financeiras, inclusive regulatórias", diz Rui Cabral, sócio-líder de risco e finanças para o setor financeiro da EY Brasil. "O interessante é que, para os respondentes, a IA será direcionada para a gestão dos riscos tradicionais, enquanto os profissionais se dedicarão a esses novos desafios de mercado", completa.
Na outra ponta, 16% esperam redução significativa do número de colaboradores, por causa, entre outros motivos, da automação da IA em tarefas repetitivas como coleta de dados e geração de relatórios. Já 15% esperam uma mudança para equipes menores, especializadas e com domínio da tecnologia. O motivo para isso é que a inteligência artificial proporcionará operações mais eficientes de forma geral.
Participaram do estudo da EY, em parceria com o IIF, 101 bancos de 31 países, por meio das respostas de CROs. Os bancos contemplados são diversos em termos de tamanho de ativos e alcance geográfico, com 10% deles na categoria G-SIBs, que reúne as maiores e mais complexas instituições financeiras do mundo, consideradas grandes demais para falir (da expressão em inglês “too big to fail”). As instituições pesquisadas têm suas sedes na América do Norte, representando 30% do total, seguidas por Ásia-Pacífico com 20%; Europa com 20%; América Latina com 20%; e Oriente Médio e África com 10%.
Impacto da IA nos próximos anos
Quando perguntados sobre o impacto da IA na evolução das funções de gerenciamento de riscos nos próximos três anos, a resposta mais citada, com 79%, foi treinamento dos profissionais em IA e ciência de dados. Para isso, a expectativa é que os bancos aumentem o investimento no treinamento dos colaboradores para que estejam aptos a usar modelos analíticos de dados, de interpretação de dados e ferramentas de IA.
Na segunda posição, com 64%, os respondentes escolheram diminuição das funções manuais tradicionais, o que significa que a automação vai reduzir tudo aquilo que segue processos rotineiros, como testes de compliance, relatórios, controles e análise de dados. Na sequência, com 55% da preferência, os entrevistados apontaram a expectativa com o surgimento de profissionais especializados em risco e IA chamados de híbridos.
“São aqueles preparados nessa função de gestão de riscos, mas também apresentando proficiência em IA. Esse movimento tem sido visto cada vez mais no mercado. Não se trata de uma exclusividade dos profissionais desse segmento. A demanda é por quem domina determinada função tradicional, aplicando esses conhecimentos no contexto da IA”, analisa Andrei Graça, sócio-líder de inteligência artificial e dados da EY Brasil.
Outra resposta bem posicionada no estudo da EY e do IIF está relacionada com a governança dos sistemas de IA. “Quase três em cada dez esperam que novos cargos sejam introduzidos na gestão de riscos com foco na garantia de modelos éticos de IA dotados de explicabilidade e que estejam em total conformidade com a regulação e as melhores práticas”, finaliza Andrei.
A inteligência artificial tem sido cada vez mais utilizada pelas empresas para inovar e tornar mais produtivo o dia a dia dos seus negócios. Há, no entanto, diversas dúvidas sobre como desenvolver e operacionalizar esses sistemas evitando os riscos que podem comprometer os resultados financeiros e a reputação das organizações. Nesse contexto, a EY lançou a série “IA aplicada aos negócios: Como utilizar essa tecnologia com segurança e governança para gerar inovação”, que, além desta reportagem, já publicou as seguintes:
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