A maioria dos executivos brasileiros (89%) entrevistados pelo estudo anual da EY sobre os desafios e tendências das empresas latino-americanas considera que inteligência artificial avançada e sistemas autônomos representam a principal tecnologia disruptiva da sua indústria nos próximos três anos. Aparecem na sequência análise e Big Data, com 79%; infraestrutura digital (nuvem, por exemplo) e edge computing, com 79%; cibersegurança avançada e identidade digital, com 71%; tecnologias sustentáveis, com 70%; e automatização inteligente e sistemas ciberfísicos, com 67%.
“O ano passado apresentou resultado semelhante, mas com um ponto percentual a mais para IA avançada e sistemas autônomos, que também ficou na liderança. O desafio continua sendo obter resultados efetivos de negócio com o uso da IA”, diz Leonardo Donato, líder de Clientes e Indústrias da EY na América Latina. “A IA exige muito mais do que tecnologia, dependendo de dados confiáveis e de qualidade, integração aos fluxos de trabalho, capacitação de equipes e governança adequada, com definição clara de responsabilidades”, completa.
Essa distância entre adoção da IA e obtenção de resultados efetivos é evidenciada pelo levantamento. Isso porque 55% dos entrevistados não estão utilizando a tecnologia nem pretendem utilizar; iniciaram a implantação em projetos-piloto; ou começaram de fato a usar, mas somente em determinados projetos. “Mais precisamente, 28% ainda estão testando a IA, enquanto 31% implementaram apenas em aspectos específicos do negócio”, explica Donato. Somente 14% já adotam plenamente a IA em várias áreas, sendo que metade obteve resultados significativos e a outra metade, alguns resultados.
Ainda segundo o executivo, as empresas precisam priorizar casos de uso com maior potencial de geração de valor, estabelecer controles para uma IA responsável e acompanhar indicadores de adoção, produtividade, qualidade e risco. “A vantagem competitiva não estará apenas na adoção da tecnologia, mas na sua incorporação ao modelo operacional com velocidade, governança e resultados mensuráveis”, conclui.
Dados de qualidade
O levantamento demonstra que 86% dos executivos entrevistados consideram que a produtividade impulsionada pela tecnologia será a tendência global mais importante para sua indústria nos próximos três anos. Outras duas respostas têm essa mesma porcentagem: foco na inovação e transformação digital acelerada (IA, automação e análise avançada). Na sequência, com 79%, vêm “dados como um ativo transversal a toda a organização” e “cibersegurança e proteção de dados”.
“Os dados deixaram de ser vistos apenas como matéria-prima da tecnologia para se consolidarem como o fator que pode trazer vantagem competitiva para as empresas”, diz Telma Luchetta, sócia-líder de Tecnologia, IA e Dados para o setor financeiro da EY Brasil. “Para que isso seja possível, eles precisam ser utilizados com a finalidade de embasar as discussões envolvendo estratégia corporativa. No entanto, o desafio que identificamos em estudo com CDOs (Chief Data Officers) é que o nível de prontidão desses dados ainda deixa a desejar”, completa.
A prontidão dos dados nas empresas significa tê-los limpos, estruturados, acessíveis e governados para gerar decisões confiáveis e alimentar inclusive os sistemas de IA. "Só dá para ganhar velocidade na adoção segura de IA se a organização fizer a gestão eficiente dos seus dados”, observa.
A pesquisa Desafios e Tendências das Empresas em Latam 2026 teve como objetivo compreender as expectativas dos executivos da região para os próximos três anos, identificando os principais desafios internos e externos, bem como as tendências que devem impactar os negócios. O estudo ouviu 1.988 diretores e executivos de alto escalão de 18 países da região: Argentina, Bolívia, Brasil (com 214 respondentes), Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.
A inteligência artificial tem sido cada vez mais utilizada pelas empresas para inovar e tornar mais produtivo o dia a dia dos seus negócios. Há, no entanto, diversas dúvidas sobre como desenvolver e operacionalizar esses sistemas evitando os riscos que podem comprometer os resultados financeiros e a reputação das organizações. Nesse contexto, a EY lançou a série “IA aplicada aos negócios: Como utilizar essa tecnologia com segurança e governança para gerar inovação”, que, além desta reportagem, já publicou as seguintes:
IA generativa para fins tributários atende às obrigações fiscais e gera inteligência
Empresas adotam IA generativa na gestão do contencioso tributário
Monitoramento por IA das emissões de metano já é realidade na indústria de gás e petróleo
Indústria de mineração encontra alternativas à abertura de minas por meio da IA
IA possibilita uso inteligente da rede de energia para aproveitar potencial das fontes renováveis
Educação é a base da governança em inteligência artificial
Engajamento dos C-Levels e diretores é característica em comum das empresas bem-sucedidas em IA
Conselheiros de administração no Brasil têm o desafio de inserir IA generativa na agenda de curto prazo
Uso da IA generativa pelas empresas começa com identificação do problema a ser resolvido
Cultura de dados aliada à IA melhora gestão de riscos corporativos
Erro ou criatividade da IA generativa, mesmo em nível baixo, traz riscos para as empresas
IA exige olhar para as transformações que serão viabilizadas pela tecnologia
Empresas consideram que IA generativa será complementar às iniciativas já existentes
IA generativa: 73% das empresas já estão investindo ou planejam investir dentro de um ano
Estruturação dos dados é desafio da área de gestão de riscos das organizações
IA registra mais de 90% de precisão na detecção de ameaças cibernéticas, diz estudo da EY
86% dos CIOs pretendem adquirir ou fechar parceria com plataforma de IA generativa
Uso da IA pelas varejistas traz ganhos em relação aos clientes, colaboradores e cadeia de suprimentos
Uso da IA na infraestrutura viabiliza projetos com monitoramento em tempo real
CEOs concordam que capacitação da força de trabalho vai definir liderança em IA
Geopolítica, tecnologia e ambiente regulatório desafiam departamentos jurídicos
85% dos departamentos jurídicos usam ou pretendem usar IA generativa para buscar jurisprudência
Uso da IA pelo agronegócio pode tornar Brasil ainda mais competitivo no cenário global
Sistemas de IA generativa precisam ser continuamente confrontados ou testados
Empresas podem obter incentivos fiscais com seus investimentos em IA
Uso da IA contra ameaças cibernéticas cresce entre empresas de tecnologia
IA agêntica já é realidade nas empresas de tecnologia, diz estudo da EY
Estudo da EY indica que 76% da Geração Z já usa IA na vida pessoal e no trabalho
Geração Z considera que uso da IA generativa seria desestimulado pelos professores
Geração Z sabe onde usar IA generativa, mas tem dificuldades de tirar o melhor dela
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63% da Geração Z considera que IA traz impacto positivo para a vida
Letramento em IA é passo inicial para implantação bem-sucedida da tecnologia
Adoção efetiva da IA nas empresas depende do engajamento dos colaboradores
Brasil está entre os líderes em índice de população confortável com uso de IA
Maioria dos brasileiros usou IA de forma consciente nos últimos seis meses
47% dos consumidores ainda não fizeram compra recomendada por IA
Detecção de ameaças e monitoramento estão entre principais usos da IA para cibersegurança
Entusiasmo sobre o futuro da IA entre os brasileiros está acima da média global
Governo tem índice mais baixo de confiança para gestão de IA
Em meio à incerteza, empreendedores focam em IA e fortalecimento da cultura
CISOs têm a oportunidade de liderar estratégia de IA das organizações
Uso de IA para prevenção de crimes financeiros ainda é incipiente, indica estudo da EY
Cresce busca por profissionais tributários com fluência em IA, aponta estudo da EY
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45% das empresas reconhecem que dificuldade com tecnologia prejudica função tributária
Uso da IA na auditoria viabiliza testagem de 100% das transações dos clientes
Nove em cada dez CEOs no Brasil esperam por impacto decisivo da IA no negócio
CEOs no Brasil consideram que IA atende ou excede expectativas, diz estudo da EY-Parthenon
Para gerir milhares de agentes de IA, empresas adotam novo modelo de governança
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